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23 de novembro de 2018, 16h38

Modelo chileno defendido por Paulo Guedes prevê privatização da aposentadoria

Le Monde Diplomatique publica matéria sobre as ligações do ministro da Economia de Bolsonaro com o Chile de Pinochet: “Após 30 anos de contribuição, 90% dos chilenos recebem aposentadorias que valem metade do salário mínimo do país, cerca de 154 mil pesos (R$ 821)”

Foto: Reprodução/YouTube

O jornal Le Monde Diplomatique, em sua edição de novembro, traz ampla reportagem sobre as perspectivas do governo de Jair Bolsonaro. Com o título de “Brasil, novo laboratório da extrema direita”, a matéria dá ênfase às ideias de Paulo Guedes, futuro ministro da Economia, e suas ligações com a Universidade de Chicago, com o governo do ditador chileno Augusto Pinochet e seu programa econômico ultraliberal.

Um dos trechos da reportagem cita: “Nos anos em que Guedes viveu no Chile, José Piñera, o mais poderoso Chicago Boy e irmão do atual presidente, Sebastián Piñera, colocava em prática a privatização completa da previdência, decretada pelo ditador Pinochet em 13 de novembro de 1980. Nesse sistema, formado hoje por um oligopólio de seis fundos privados de pensão (AFP), os assalariados são obrigados a entregar 10% do salário para especulação capitalista, sem contribuição patronal.

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Atualmente, após 30 anos de contribuição, 90% dos chilenos recebem aposentadorias que valem metade do salário mínimo do país, cerca de 154 mil pesos (R$ 821). Sintomaticamente, a privatização da previdência excluiu os militares”, revela o texto.

Projeto ultraliberal

Paulo Guedes é um velho conhecido dos economistas chilenos, que colocaram em prática o projeto econômico ultraliberal na ditadura do general Pinochet (1973-1990). O futuro ministro de Jair Bolsonaro fez pós-graduação na Universidade de Chicago.

Lá, fez amizade com alguns estudantes chilenos que, no futuro, assumiriam papéis importantes no regime militar. Um dos chamados Chicago Boys foi Jorge Selume Zaror, que se tornou diretor de Orçamento do governo de Pinochet. Nos anos 80, ele comandou a Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Chile. Selume Zaror foi quem convidou Guedes para trabalhar como pesquisador e acadêmico na instituição chilena.

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