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14 de junho de 2019, 06h23

Moro ataca The Intercept e diz que reportagens têm “viés político-partidário” para libertar Lula

"Me parece muito claro que existe um viés político-partidário na divulgação dessas mensagens, e não utilização dela. Uma passa pela soltura de um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, que é o ex-presidente Lula", diz Moro, que classifica como sensacionalista o trabalho de Glenn Greenwald

O ex-juiz Sergio Moro (Foto: Isaac Amorim/MJSP)

Em entrevista divulgada no fim da noite desta quinta-feira (13) pelo blog do Fausto Macedo – por onde foi vazado boa parte de materiais da Operação Lava Jato -, no portal Estadão, o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, atacou o site The Intercept e chamou de “sensacionalistas” as reportagens sobre conversas espúrias que manteve com o procurador Deltan Dallagnol.

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“Acho que o alvo são as instituições. Se vamos tolerar esse tipo de comportamento, hackers criminosos que conseguem abrigo em veículos não sei se da imprensa, se a gente pode falar dessa forma, para divulgar isso. Então quer dizer se amanhã invadirem os telefones de jornais, de empresas, dos ministros do Supremo, de presidente do Senado, de presidente da Câmara, vão aceitar que isso seja divulgado por esse mesmo veículo?”, afirmou Moro, colocando dúvidas sobre o jornalismo praticado pelo site fundado por Glenn Greenwald.

Durante a entrevista, Moro fez questão de ressaltar que o site faz “sensacionalismo com base em ataques criminosos de hackers”.

“Acho que há muito sensacionalismo e falta uma análise mais cautelosa. Se formos analisar o que saiu não vi nada demais. Embora, como disse, não tenha condições de reconhecer a autenticidade daquilo. E não se sabe que tipo de adulteração pode vir aí em relação a isso. Esse sensacionalismo, mais do que o próprio conteúdo (das mensagens), é o que pode afetar a credibilidade das operações”, disse.

“Viés político-partidário”
Moro disse ainda que vê um “viés político-partidário”, que passa pela soltura do ex-presidente Lula.

“Me parece muito claro que existe um viés político-partidário na divulgação dessas mensagens, e não utilização dela. Uma passa pela soltura de um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, que é o ex-presidente Lula, é uma pena”.

Moro desviou o foco da ilegalidade cometida em orientar o trabalho dos investigadores da Lava Jato, indicando fontes, solicitando o desencadeamento de operações e dando ordens. Em dois momentos, ele falou que isso faz parte da “tradição jurídica” brasileira, sem questionar a questão legal que envolve essas relações.

“Essa interlocução é muito comum. Sei que tem outros países que têm práticas mais restritas, mas a tradição jurídica brasileira não impede o contato pessoal e essas conversas entre juízes, advogados, delegados e procuradores”.


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