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18 de junho de 2019, 06h00

“Moro caiu na própria teia que armou no passado”, diz Glauber Braga (PSOL-RJ)

Em entrevista ao programa Fórum 21, o deputado federal criticou a tentativa de Moro e do núcleo da Lava Jato de criminalizar os vazamentos do The Intercept Brasil sem qualquer tipo de análise do conteúdo e defendeu o afastamento do ex-juiz do Ministério da Justiça

Foto: Agência Câmara

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, promete ir à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na próxima quarta-feira (19) para prestar esclarecimentos sobre o conteúdo vazado pelo The Intercept Brasil às vésperas de novas revelações. A gravidade dos vazamentos mostram o então juiz confabulando com o Ministério Público em diversos momentos, como quando Moro sugeriu ao MP uma testemunha ou quando mandou procuradores atacarem defesa de Lula após depoimento de caso triplex.

Na quarta Moro deve reforçar aos parlamentares que a divulgação feita pelo Intercept faz parte de uma orquestrada operação de ataque à Lava-Jato. Jogando nesse terreno, evita-se que seja avaliado o comportamento pra lá de suspeito.

Para o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), no entanto, a estratégia de Moro de tentar criminalizar o site The Intercept Brasil pelos vazamentos, sem se apegar ao seu conteúdo, não vai “colar” em sua audiência no Senado.

“Não cola. O próprio Sérgio Moro já criou no passado o que seria a narrativa contrária ao que ele defende agora. Não foi ele que disse ao Pedro Bial que não importava o método, e sim o conteúdo de diálogos que tinham sido interceptados? Então, agora, ele caiu na própria teia que armou no passado quando, de maneira seletiva, perseguiu adversários políticos. Só dizer que não vai haver investigação porque a captação foi feita de maneira ilegal, contradiz o próprio Sérgio Moro”, disse o parlamentar em entrevista ao programa Fórum 21 na noite desta segunda-feira (17).

Para o deputado, “não tem cabimento” que Moro continue no ministério uma vez que caberia à Polícia Federal, órgão subordinado à sua pasta, deflagrar uma investigação sobre as conversas suspeitas entre o ministro e procuradores do Ministério Público.

“O Moro se tornou o símbolo de segmentos de extrema direita que querem, através de uma politica de força, intimidar qualquer possibilidade de pensamento crítico. E quando as críticas se voltam contra ele, as milícias digitais se movimentam para calar as vozes que querem fazer algum tipo de reflexão”, disse Braga, que não poupou críticas ao ministro da Justiça e ao núcleo da Lava Jato, que vêm, através de suas reações aos vazamentos, incentivando de maneira indireta os ataques ao jornalista Glenn Greenwald, responsável pelo The Intercept Brasil, nas redes sociais.

“Há, sem dúvida nenhuma, uma tentativa de intimidação”, pontuou.

Assista a íntegra da entrevista.

 


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