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20 de janeiro de 2020, 23h09

Moro defende Bolsonaro nos ataques à imprensa: “Ele dá ampla liberdade aos jornalistas”

Apesar de Bolsonaro chegar a mandar jornalistas calarem a boca, Moro disse no Roda Viva que o presidente não cerceia o trabalho da imprensa; ele ainda tergiversou quando foi convocado a falar sobre o vídeo nazista de Roberto Alvim e do ataque a bomba ao Porta dos Fundos: "Não cabe ao ministro ser um comentarista"

Reprodução/TV Cultura

Em entrevista à bancada do Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (20), o ministro da Justiça, Sérgio Moro, saiu em defesa de Jair Bolsonaro com relação aos constantes ataques que o presidente faz à imprensa.

O jornalista Leandro Colon, da Folha de S. Paulo, lembrou que Bolsonaro já chegou até mesmo a mandar jornalistas calarem a boca e citou “flertes” que o presidente tem com um suposto AI-5 e, então, perguntou: “Por que o senhor não se manifesta sobre temas polêmicos? Como o senhor avalia o comportamento do presidente?”.

Moro, por sua vez, antes de defender Bolsonaro, tentou se esquivar: “Eu tô dentro do Ministério, falo com meus subordinados. O senhor fala publicamente do seu chefe?”. Colon, no entanto, rebateu: “O senhor é um homem público”.

O ministro, então, começou a dar malabarismos para encampar sua defesa ao presidente com relação aos ataques à imprensa, chegando a afirmar que Bolsonaro dá “ampla liberdade” ao trabalho dos jornalistas. “O que eu vejo é que nas eleições tinha um grupo que queria regular a imprensa e do outro lado o presidente que está dando ampla liberdade à imprensa para fazer seu trabalho. Não se vê qualquer iniciativa do presidente pra cercear a imprensa”, disparou.

Os jornalistas insistiram. Vera Magalhães, por exemplo, interrompeu citando situações em que Bolsonaro, de fato, cerceou o trabalho de repórteres. Moro, porém, seguiu tentando encontrar uma resposta plausível. Sem sucesso.

“Veja, fui convidado pra vir no Roda Viva, se eu não aceitar vir aqui, seria uma censura?”, questionou, sendo, naturalmente, corrigido pelos jornalistas da bancada. “É totalmente diferente”, disse Colon.

“Não vim aqui para falar do presidente. Ele tem sido criticado e ele reage”, finalizou Moro em tom de lealdade.

Saiu pela tangente 

Antes de ser perguntado sobre o comportamento de Bolsonaro e seus ataques à imprensa, o ministro da Justiça fugiu da responsabilidade de se pronunciar sobre o vídeo nazista divulgado pelo agora ex-secretário especial de Cultura do governo, Roberto Alvim, e também sobre o ataque à bomba contra a produtora do Porta dos Fundos.

“Não cabe ao ministro ser um comentarista sobre tudo, ser um comentarista político. Nesse caso do secretário de Cultura, ao meu ver, foi um episodio bizarro. Dei minha opinião, mas dei minha opinião ao presidente”, disse.

Vera Magalhães rebateu, tentando tirar um fala mais incisiva do ministro sobre o tema.”Mas apologia ao nazismo é crime”. Moro, no entanto, tergiversou: “Não sou o ministro responsável por aquele setor. O presidente tomou a decisão correta e o problema foi resolvido”.

Sobre o ataque ao Porta dos Fundos, o ex-juiz federal não proferiu nenhuma palavra, mesmo diante da insistência dos entrevistadores.

 


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