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18 de dezembro de 2019, 21h48

Moro distorce Estado Laico em conferência com evangélicos

Com discurso de pré-candidato, Moro busca realinhamento com a Bancada Evangélica

Foto: Agência Senado

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, participou na noite desta quarta-feira (18) da primeira conferência nacional da bancada evangélica, em Brasília. Na ocasião, ele adotou um discurso de pré-candidato e comentou sobre religião e política. O ex-juiz federal sempre se esquivou dos temas religiosos e não comentava abertamente sobre isso.

“Entendo que Estado é laico. Mas isso não significa que o homem público, a mulher pública, precisa se despir dos seus valores cristãos para atuar na vida pública”, declarou o ex-juiz federal, que busca emplacar seu nome como candidato à vice-presidência de 2022. As informações são da jornalista Anna Virginia Balloussier, da Folha de São Paulo.

O inciso I do artigo 19 da Constituição Federal, geralmente referido como o artigo que define a laicidade do Estado Brasileiro, estabelece que “é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”.

Moro e os evangélicos

Os evangélicos são um dos grupos mais reativos à composição de chapa Bolsonaro-Moro e defendem que um evangélico ocupe o posto. “O ministro Moro tem apoio da mesma base de eleitores conservadores do presidente. É preciso somar, atrair outros grupos”, declarou o deputado Marco Feliciano (Sem Partido-SP) no início do mês. “Os evangélicos, por exemplo, vão ser disputados a tapa. O presidente precisa fidelizar esse grupo”, disse ainda.

Feliciano foi expulso do Podemos pouco tempo depois da declaração por “incompatibilidade programática e comportamento não condizente com as diretrizes”, acusado de corrupção, assédio sexual, entre outras coisas. O Podemos é tido como uma das opções de Moro caso ele não consiga cavar a vice-presidência na chapa de Bolsonaro.

STF e Vaza Jato

A ausência do debate religioso também fez Moro ser preterido pelo presidente Jair Bolsonaro para a primeira vaga que deve ser aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-capitão já declarou que pretende nomear um magistrado “terrivelmente evangélico” para o posto, estragando os planos do ex-juiz.

Ainda em alta nas pesquisas de opinião, Moro tem perdido prestígio em Brasília, devido aos embates com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e à série de reportagens da Vaza Jato, que expôs uma relação ilegal de Moro com o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba.

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