O que o brasileiro pensa?
30 de maio de 2020, 17h11

Moro faz comparação infeliz entre cancelamento de palestra na Argentina com ditadura militar

Ao contrário do Brasil, a Argentina prendeu torturadores da ditadura do chamado Terrorismo do Estado; o ex-juiz foi ministro no governo de Bolsonaro, defensor do período militar

Moro e Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O ex-ministro Sérgio Moro criticou neste sábado o cancelamento de uma palestra que ele havia sido convidado para participar na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires, mas foi cancelado após uma grande mobilização contra ele por parte dos argentinos.

Em entrevista concedida ao canal argentino de notícias La Nación Más (LN+), Moro considerou que o cancelamento da palestra “Combate à Corrupção, Democracia e Estado de Direito” foi uma censura comparável com o período militar. “Esse tipo de situação de impedir palestras é mais ou menos o que se fazia no passado quando se queimavam livros em situações arbitrárias”, declarou.

A suspensão da palestra ocorreu após uma mobilização de juristas ligados à faculdade que condenam a prática do lawfare – o uso da Justiça como instrumento político – e a apontam que Moro atuou de forma política no julgamento do ex-presidente Lula. Entre eles está Eugenio Zaffaroni, juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

O Sindicato dos Docentes da UBA (FEDUBA) também emitiu nota de repúdio ao convite para Moro e o qualificou como “um dos principais promotores do lawfare na região”.

Segundo o ex-juiz, há uma “incompreensão do que foi a Operação Lava Jato no Brasil” e “lawfare é conversa de criminoso que busca se defender”.

A comparação infeliz esbarra na própria história da Universidade de Buenos Aires, que foi uma das instituições que ajudou no processo de redemocratização da Argentina. O livro “Nunca más”, informe final da Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP), foi publicado pela Editora da Universidade de Buenos Aires (Eudeba). A comissão também contou pesquisadores ligados à universidade.

Ao contrário do Brasil, a Argentina realizou, nos anos 2000, uma revisão nos arquivos da ditadura do chamado Terrorismo de Estado, iniciada com Jorge Rafael Videla em 1976, e prendeu repressores.

Há ainda uma contradição devido ao fato do ex-juiz ter sido titular do Ministério da Justiça do presidente Jair Bolsonaro, defensor do período militar brasileiro e da tortura – como já disse em entrevistas. Moro jamais condenou a postura autoritária do presidente enquanto tinha sua cadeira assegurada no gabinete.

Com informações da RFI


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