MP de São Paulo denuncia participação de líder do MBL em suposto esquema de corrupção

"Vivo, hoje, as consequências política do estado policialesco que ajudei a fomentar", lamentou Renan Santos em nota em que critica o MP

Renan Antonio Ferreira dos Santos, um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), é um dos alvos de denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) na última quinta-feira (22) sobre um suposto esquema de corrupção que teria sido montado na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp) com apoio do movimento e que teria rendido doações ao MBL através de canal no YouTube.

O MP afirma que o MBL se utiliza de “técnicas indicativas de viabilizar a ocultação/dissimulação de valores ilícitos” (lavagem de dinheiro) por dois métodos. O primeiro seria “nova técnica de lavagem de capitais, peculiar, efetuada mediante ‘doações online’, com valores relevantes e sem lastro de origem – via Superchat do Youtube, ‘vaquinhas online’, sem rastro da origem do dinheiro obtido, que podemos denominar de doações de ‘cifras ocultas'” e “constituição de empresas, muitas delas (a maioria) de fachada, localizadas em endereços residenciais, sem funcionários cadastrados e com diversas sucessões societárias”.

Segundo a denúncia, um dos doadores frequentes do movimento no YouTube é Alessander Monaco Ferreira. Por conta da influência do MBL, Monaco Ferreira teria conseguido um cargo comissionado na Imesp e, já no órgão governamental, teria fechado contratos com a empresa FIPE – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.

“Em relação à plataforma Superchat, usada pelo MBL, a forma das doações fracionadas – de R$ 200,00, R$ 300,00 por “live” consistiu na verdade em uma forma dissimulada de retribuição de valores que ele recebia do emprego público na IMESP, entregando-os ao MBL, em retribuição por reconhecimento (agradecimento compensatório) da atuação de tráfico de influência por parte de integrantes do MBL/MRL para a sua contratação na IMESP; e que também indicam atuação efetiva de Alessander Monaco Ferreira, enquanto funcionário da IMESP, em direcionamentos para a prática de crimes de fraudes em licitações milionárias daquele órgão público”, diz trecho da denúncia, assinada por Marcelo Batlouni Mendroni.

“Essa contratação criminosa da FIPE pela IMESP corresponde a: devolução/retribuição do favor – por ter sido a Monaco Intelligent contratada – por valores milionários – pela própria FIPE; pagamento de propina em valores espécie da FIPE para Alessander Monaco Ferreira – como retribuição daquela contratação através da dispensa de licitação: IMESP – FIPE”, aponta ainda o MP.

Em nota enviada ao Blog do Fausto Macedo, do Estado de S. Paulo, Renan Santos – que é acusado de “tráfico de influência” – classificou a denúncia como “descabida” e com intenções eleitoreiras. “A denúncia é absurda e qualquer um que leia o documento percebe isso com muita facilidade. Por favor, leiam a denúncia! Novamente, é levantada a tese esdrúxula de “recebimento de dinheiro por superchat no youtube”, uma inovação exótica criada pra nos atacar”, diz em nota.

Santos ainda faz um “mea-culpa”: “Vivo, hoje, as consequências política do estado policialesco e do espetáculo de denúncias que inconscientemente ajudei a fomentar. Não é essa a justiça que imaginava defender quando saí às ruas pra defender o próprio MP em 2013. Ironias de um país maluco”.

Confira aqui a denúncia na íntegra, obtida pelo Blog do Fausto Macedo

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