Mulher de Queiroz reclamou de “terror” e de viver como “marionete do anjo”: “Vão matar?”

“Ele (Anjo) vai fazer terror, né?”, diz Márcia Aguiar, esposa de Queiroz que está foragida, a advogada que trabalhou com Wassef e conviveu com o ex-assessor de Flávio Bolsonaro no sítio em Atibaia

Mensagens interceptadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro revela que o tratamento dado por Frederick Wassef, ex-advogado do clã Bolsonaro, a Fabrício Queiroz e à esposa, Márcia Oliveira de Aguiar, estava muito além da questão “humanitária”, como alegou o jurista em entrevista à revista Veja.

Na conversa, com a advogada Ana Flávia Rigamonti, Márcia Aguiar reclama das táticas impostas ao casal que estaria vivendo como “marionete do Anjo” – codinome de Wassef. “Deixa a gente viver nossa vida. Qual o problema? Vão matar?”, disse a esposa de Queiroz, segundo reportagem de Caio Sartori, no jornal O Estado de S.Paulo desta quinta-feira (2).

Nas conversas obtidas pelo MP, Márcia assume que poderia fugir caso tivesse a prisão decretada. “A gente não pode mais viver sendo marionete do Anjo. ‘Ah, você tem que ficar aqui, tem que trazer a família’. Esquece, cara. Deixa a gente viver nossa vida. Qual o problema? Vão matar? Ninguém vai matar ninguém. Se fosse pra matar, já tinham pego um filho meu aqui”, diz Márcia, em mensagem enviada a Flávia, que trabalhou com Wsassef, no fim do ano passado.

Os planos de Wassef, segundo os diálogos apreendidos, incluíam alugar uma casa em São Paulo para abrigar toda a família de Queiroz.

“Ele (Queiroz) não quer ficar mais aí, não”, diz Márcia, antes de ponderar: “Ele (Anjo) vai fazer terror, né?”.

Em uma das respostas, Ana Flávia concorda com Márcia. “O Anjo tem ideias boas, sim, mas na prática a gente sabe que não é igual às mil maravilhas que ele fala”.

De acordo com a reportagem, em áudios enviados à advogada, Márcia alternava choros com relatos sobre como a situação mexia com sua saúde física e emocional. “Sei que também tá acabando com a (saúde) dele (Queiroz)”.

Em carta ao jornal, Wassef diz que jamais articulou qualquer rotina de ocultação do paradeiro de Fabrício Queiroz, assim como nunca dei ordens a ele ou à sua família. “Da mesma forma, nunca o escondi”.

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Márcia está foragida desde o dia 18, quando a Justiça do Rio determinou a prisão dela e de Queiroz. Apesar de Queiroz descartar, a esposa teria procurado escritórios de advocacia para negociar uma delação premiada com os investigadores.

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Direto da Redação da Revista Fórum.

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