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04 de abril de 2019, 07h59

Na Câmara, Damares foge pelos fundos para não encarar perseguidos pela ditadura

Sem sucesso, grupo vem tentando dialogar com a ministra para apontar equívocos em medidas de desmonte da Comissão de Anistia

Depois de cancelar participação em reunião de Comissão da Câmara dos Deputados e, no mesmo dia, pregar pelo ensino domiciliar no lançamento de frente parlamentar em defesa da pauta, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, fugiu, na pelos fundos de um restaurante que funciona nas dependências da Casa, na última terça-feira(03), para não encarar um grupo de anistiados políticos perseguidos pela ditadura militar iniciada em 1964. As informações são de Rubens Valente, na edição desta quinta-feira (4) da Folha de S. Paulo.

O grupo protestava contra mudanças na linha de atuação da Comissão da Anistia, deliberadas por Damares e alinhadas a tendência de revisionismo histórico pautada por alas do governo e pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Pelos menos dois documentos com pedidos de audiência de representantes de anistiados junto à ministra foram protocolados nas últimas semanas, a fim de que possam expor a ela a posição das vítimas do regime autoritário – não houve respostas para nenhum deles.

“Acho que ela fugiu, como ela fugiu ontem da comissão da mulher. Ela não quer dialogar. Ela falou que iria receber um grupo de anistiados hoje às 10h e não recebeu, não deu satisfação. E agora deve ter ouvido nosso clamor aqui fora e também, para evitar de encarar, conversar, dialogar, fugiu. E isso é muito indigno”, disse à Folha Jane de Alencar, anistiada em 2001, tortura e presa por três vezes pela repressão militar.

Desde que assumiu a pasta dos Direitos Humanos, Damares tomou uma série de medidas que indicam o desmonte da Comissão de Anistia, criada ainda por Fernando Henrique Cardoso, em 2002. Entre elas, a mudança da composição do conselho, a partir da inclusão de militares e ex-militares.

A ministra também rejeitou em bloco 265 processos e disse que apuraria casos anteriores, sugerindo, sem provas, danos ao erário público.

Mais de 12 mil processos estão na fila para avaliação da Comissão de Anistia, que, desde sua criação, analisou 66,3 mil, dos quais deferiu 39,3 mil e indeferiu 23,5 mil.
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