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22 de julho de 2019, 09h04

“Não tenho medo de ditador, de subditador, de projeto de ditador”, diz Flávio Dino

Em entrevista a jornal maranhense, Dino destacou que Bolsonaro é movido por ódio e preconceito e que até na ditadura militar os governadores estaduais eram respeitados

O governador do Maranhão, Flávio Dino (Arquivo)

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), afirmou em entrevista a Giovana Kury, divulgada neste domingo (21) no site O Imparcial, que não irá se afetar pelas críticas de Jair Bolsonaro e seguirá defendendo o estado. Ele destacou que o presidente deve seguir o pacto federativo e até mesmo na ditadura militar os governadores estaduais eram tratados com respeito.

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“Não é a opinião isolada do presidente da República, movido por ódio e preconceito, que vai afetar minha atuação. Não tenho medo de cara feia, de grito, não tenho medo de nada disso. Não tenho medo de ditador, de subditador, de projeto de ditador. Então, vou manter a minha atitude sempre respeitosa, sempre no plano político e ideológico, como faço, nunca no plano pessoal”, disse Dino na entrevista.

O governador reafirmou também que está pronto para colaborar com o Governo Federal no que tange a atuação em benefício da população do Maranhão com base no federalismo. “É meu dever defender o estado para que o Governo Federal respeite o Maranhão e respeite o Nordeste.”

O governador ainda afirmou ter ficado surpreso com a declaração de Bolsonaro, mas que não se abalou e “dormiu tranquilo”. “Recebi com espanto esse nível de ódio e agressividade. De um lado, é algo incompatível com a Constituição e com o princípio federativo; de outro, constitui uma ruptura unilateral, por parte dele, do clima respeitoso que sempre houve no Brasil. Mesmo na ditadura militar, se lembrarmos do último presidente, João Figueiredo, ele conviveu com Leonel Brizola, Franco Montoro, Tancredo Neves, Zé Richa, entre outros governadores, que eram de partidos de oposição”, declarou.

Sobre a possibilidade do presidente sofrer um impeachment pelas declarações, Dino disse que não caberia a ele avaliar. “É uma reflexão que, algum momento, vai se colocar na Câmara e no Senado. Não cabe a mim tratar desse assunto, pois é de outras competências. Mas, aparentemente, vai se construindo um caminho em que ele [Bolsonaro] vai, cada vez mais, governando para poucos, de modo agressivo. Sem dúvida, é um debate que, infelizmente, vai se colocando por conta desse conjunto de atitudes e declarações”, afirmou.


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