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22 de maio de 2020, 18h15

“Não vou esperar foder a minha família”, disse Bolsonaro durante reunião ministerial

Declarações do presidente expostas em vídeo tornado público nesta sexta-feira confirmam acusações de Sérgio Moro

Sérgio Moro e Jair Bolsonaro - Foto: Marcos Corrêa/PR

O vídeo revelado nesta sexta-feira (22) pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federa (STF), mostra o presidente Jair Bolsonaro fazendo várias indiretas ao então ministro da Justiça, Sérgio Moro, durante a reunião ministerial de 22 de abril. Em um dos trechos, Bolsonaro fala que não conseguiu mudar a “segurança do Rio de Janeiro” e que mudaria um ministro se fosse impedido.

“É a putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”, afirma o presidente em trecho da reunião.

Segundo Sérgio Moro, a referida “segurança” seria a Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro. Apesar do ex-capitão dizer que estaria falando da segurança pessoal, responsabilidade do Gabinete de Segurança Institucional, o único ministro da área de Justiça e Segurança a ser demitido foi ele.

O argumento de que fala da segurança pessoal também não se sustenta quando analisadas decisões anteriores do presidente publicadas no Diário Oficial da União. Segundo a jornalista Andreia Sadi, da Globo, o ex-capitão fez promoções de militares ligados à segurança pessoal no Rio de Janeiro e em Brasílias semanas antes da reunião.

Na frase, o “chefe dele” seria Maurício Valeixo, diretor-geral da Polícia Federal, o “alguém da ponta da linha” seria Carlos Henrique, superintendente da PF do Rio, e o “ministro” seria Moro. Valeixo foi demitido por Bolsonaro, Carlos Henrique saiu do Rio após a chegada do novo diretor e Moro se demitiu.

CONFIRA AQUI OUTRAS FALAS DO PRESIDENTE

LEIA AQUI A TRANSCRIÇÃO DA REUNIÃO MINISTERIAL

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