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18 de julho de 2019, 22h58

Nepotismo: “Se eu puder dar o filé mignon para o meu filho, eu dou”, diz Bolsonaro sobre embaixada

Em live nas redes sociais, presidente escancarou o nepotismo em sua intenção de nomear o próprio filho, Eduardo, como embaixador do Brasil nos EUA: "É filho meu, pretendo beneficiar, sim"

Reprodução/Instagram

Em transmissão ao vivo pelo Facebook na noite desta quinta-feira (18), o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a indicação de seu próprio filho, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos.

A possível nomeação tem sido alvo de críticas de internacionalistas e diplomatas, que acusam o presidente de nepotismo. Ao longo dos últimos dias, Bolsonaro procurou enaltecer as supostas credenciais do filho para nomeá-lo como embaixador, mas desta vez escancarou que a medida visa beneficiá-lo – algo que, essencialmente, caracteriza o nepotismo.

“É filho meu, pretendo beneficiar, sim”, disparou.

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Não satisfeito, Bolsonaro ainda foi além. “Se eu puder dar o filé mignon para o meu filho, eu dou”, declarou, ponderando, de forma incoerente, que não está sendo nepótico. “Mas não tem nada a ver com filé mignon essa história aí. É, realmente, nós aprofundarmos um relacionamento com um país que é a maior potência econômica e militar do mundo”, completou.

Não fizeram nada de bom 

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Na quarta-feira (17), também defendendo a indicação do próprio filho para a embaixada, o presidente chegou a disparar contra outros embaixadores brasileiros que trabalharam em Washington.

“Não fizeram nada de bom desde 2003”, disse.

A declaração gerou inúmeras reações. Uma delas foi a do deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ), que é diplomata por formação e atuou na embaixada do Brasil no México.

“Inadmissível o ataque de Jair Bolsonaro aos valorosos Embaixadores que serviram nos EUA. É mesquinho e deplorável que, em defesa da imoral nomeação de seu filho, Bolsonaro se preste a esse papel odioso de ferir a reputação de servidores públicos honrados e a do Itamaraty”, escreveu o parlamentar pelo Twitter.

Para ser concretizada, a indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada precisa ser aprovada pelo Senado.

 


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