Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
26 de março de 2019, 18h01

Nilto Tatto: Desemprego – é melhor Jair se acostumando

O golpe fatal ainda está por vir, já que a destruição da Previdência Social, se aprovada, deixará milhões de brasileiros sem nenhum amparo

Foto: Reprodução/TV Globo

Por Nilto Tatto*

O Vale do Anhangabaú amanheceu nesta terça-feira (26/03) com uma fila quilométrica de desempregados, reflexo da situação política e econômica do nosso país.

Para quem conhece o centro de São Paulo, é impossível não lembrar que em 2002, quando Lula assumiu seu primeiro mandato, a situação era muito parecida – ao final do governo FHC a taxa de desemprego chegou a superar 12% da população economicamente ativa, combinada com uma inflação de 9% ao ano; uma dívida externa de 557% em relação às reservas e um PIB per capita de R$ 7,6 mil. Filas de desempregados como a que se formou hoje eram bastante comuns nas ruas próximas à Praça da Sé e adjacências.

Ao final do primeiro mandato da presidenta Dilma, a taxa de desemprego girava em torno de 6%; a dívida externa despencou de 557 para 81% em relação às reservas e o PIB per capita praticamente triplicou, passando de R$ 7,6 para R$ 24,1 mil. Quando deixou o governo a situação estava um pouco pior, mas nem perto do quadro de hoje. Embora muito se falasse da “herança maldita” do PSDB, isso nunca justificou a falta de investimentos, mas ao contrário, estimulou a elaboração de projetos como o Minha Casa Minha Vida; Bolsa Família; Luz Para Todos; Mais Médicos; Programa de Aceleração do Crescimento (PAC); PROUNI; FIES o Fome Zero e a transposição do São Francisco.

As estratégias adotadas pelos governos do PT para superar as crises (cada vez mais frequentes e agudas no modelo de produção capitalista), sempre foram a geração de emprego e a distribuição de renda. O salário mínimo, por exemplo, era de R$ 200,00 no final do governo FHC e chegou a R$ 724 no início de 2014; a produção de veículos passou de 1,8 milhão para 3,7 milhões ao ano e a safra agrícola de 97 milhões de toneladas para 188 milhões de toneladas.

Com isso, os governos Lula e Dilma geraram em média 1,79 milhões de empregos ao ano, o que levou a economia do país da 13ª para a 7ª posição no mundo, sem precisar recorrer a privatizações ou retirada de direitos dos trabalhadores. Em contraposição, nestes três meses de governo Bolsonaro, não há uma proposta concreta de superar qualquer um dos inúmeros desafios do Brasil contemporâneo. A única coisa que ficou clara é a disposição do presidente – e de sua equipe – em atacar seus adversários; criar intrigas; anunciar medidas medíocres e responsabilizar seus antecessores pelos problemas que ele não é capaz de resolver.

O tiro certamente irá sair pela culatra, uma vez que a população já percebeu que Jair escolheu defender os interesses do grande capital; dos ruralistas; de banqueiros e especuladores. Abandonou, por exemplo, os trabalhadores da Ford e seus familiares à própria sorte, não movendo uma palha sequer para evitar o flagelo do desemprego. Porém, o golpe fatal ainda está por vir, já que a destruição da Previdência Social, se aprovada, deixará milhões de brasileiros sem nenhum amparo, beneficiando apenas grandes instituições financeiras.

*Nilto Tatto é deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores 

Nossa sucursal em Brasília já está em ação. A Fórum é o primeiro veículo a contratar jornalistas a partir de financiamento coletivo. E para continuar o trabalho precisamos do seu apoio. Saiba mais.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum