Fórum Educação
07 de fevereiro de 2020, 12h36

Novo coordenador da Funai no MS diz que vai integrar “indiozinhos” para namorar com “um pretinho, um branquinho”

Conhecido como "Magalhães do Megafone" em Campo Grande, o militar da reserva diz que "o índio é uma criatura como nós" e que será "um instrumento de consecução dos objetivos do governo" Jair Bolsonaro

Novo coordenador da Funai no MS, Magalhães do Megafone (Reprodução)

Definindo-se como “um instrumento de consecução dos objetivos do governo” Jair Bolsonaro, o recém-nomeado coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) no Mato Grosso do Sul, José Magalhães Filho, afirmou em entrevista à Globo local que o processo de integração dos indígenas da região passa por levar os filhos às escolas urbanas, para que “o indiozinho, a indiazinha” possa “namorar com um pretinho, um branquinho”.

“Nós temos que preparar esse indiozinho, essa indiazinha, para frequentar a escola urbana. E assim a namorar com um pretinho, um branquinho. E essa integração vem surgindo automaticamente. Essa forma é nossa política a ser implantada”, disse o coordenador, que assumiu nesta quinta-feira o cargo e antes era conhecido como “O Homem do Megafone” e tinha como slogan a frase “não reeleja”, que gritava nas ruas de Campo Grande.

Indicado para o cargo pela senadora Soraya Thronicke (PSL), Magalhães disse que pretende implantar escolas em tempo integral para que os indígenas possam ter um lugar para guardar seus cadernos e livros.

“A lingua portuguesa tem que se ensinada, incentivada nas escolas indígenas. Pretendo e tenho sonhos que muito mais que uma escola de tempo integral, a gente tenha uma escola social, onde o indiozinho, a indiazinha, na parte da tarde ele comparecerá para fazer suas tarefas orientado por professor. Onde tenha um local adequado para guardar seus cadernos, seus livros, porque na sua casa não tem. Muitas casas são de chão de terra batido, os cadernos e as folhas dos livros são todas amareladas”, disse.

Militar da reserva e sem experiência na administração pública e muito menos na relação com indígenas, Magalhães diz que “o índio é uma criatura como nós” e que tem a credencial necessária para assumir o cargo.

“A gente esquece que o índio é uma criatura como nós. E para estar à frente da coordenação cujo objetivo do governo é a integração do índio à sociedade basta somente ter sensibilidade humana. É o que basta”.

Assista à entrevista no site da Globo do MS


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