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05 de setembro de 2019, 18h20

Novo PGR, Augusto Aras foi indicação de um investigado por corrupção

Fora da lista tríplice, Augusto Aras é criticado tanto pela esquerda quando pela direita: é conservador, já defendeu Dilma e não agrada a Lava Jato; saiba mais

Augusto Aras (Foto: Reprodução)

“Vocês vão se surpreender com a indicação”, disse o presidente Jair Bolsonaro sobre a indicação que faria para a Procuradoria-Geral da República (PGR) em meio aos questionamentos que surgiam se ele respeitaria a lista tríplice da Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR), se reconduziria Rachel Dodge ou se escolheria um aliado próximo. O escolhido foi Augusto Aras, um procurador conservador que já defendeu a ex-presidente Dilma Rousseff e é crítico da Lava Jato e da ditadura militar, o que deixou muitos bolsonaristas descontentes.

Fora da lista tríplice, Aras se apresentou a Bolsonaro como “antissistema” e foi indicado pelo ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), integrante da bancada da bala e investigado por corrupção. Fraga, que é coronel da reserva da Polícia Militar, se reuniu por diversas vezes com o presidente para consolidar o seu favorito ao posto.

O anúncio não agradou aos procuradores da Lava Jato, apesar de ser Augusto Aras primo de Vladimir Aras, o preferido por Sérgio Moro e Deltan Dallagnol para a PGR. Vladimir é um dos procuradores que aparece no Vaza Jato e, em conversas divulgadas recentemente, ele defende que Dallagnol se torne candidato ao Senado para vencer os “inimigos” Gleisi Hoffmann e Roberto Requião.

Aras se coloca contra o “establishment” do Ministério Público e critica o corporativismo do órgão. Por isso se diz crítico da lista tríplice, dizendo que ela só favorece a uma elite interna. Movimentos de direita e apoiadores do presidente criticaram muito a indicação pelo Twitter, taxando Aras de esquerdista.

O novo PGR chegou a ser cotado para o Supremo Tribunal Federal (STF) para a vaga de Jaoquim Barbosa, em 2015. O nome dele era defendido por juristas baianos para o lugar que foi ocupado por Edson Fachin. Ele já participou de um evento com Dilma Rousseff e  José Dirceu e chegou a citar o slogan de Lula em entrevista.

“Agora, mais do que nunca, a esperança precisa vencer o medo, porque o medo está nos conduzindo a renunciar a todos os direitos sociais que nós conquistamos a duras penas”, afirmou o subprocurador no encerramento da entrevista ao programa “Câmara Comenta” , da TV Câmara de Salvador, em 2016.

Na esquerda, também surgiram críticas à nomeação, devido ao desrespeito à lista tríplice. O deputado Paulo Teixeira se manifestou lamentando a “humilhação” feita com o Ministério Público e disse ser uma lição para os procuradores da Lava Jato. “Bolsonaro humilha o Ministério Público Federal e nomeia Augusto Aras, nome que estava fora da lista tríplice. Uma lição nos procuradores da Lava-Jato, que fizeram campanha para Bolsonaro e receberam de volta tal humilhação”, declarou.


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