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06 de abril de 2019, 06h18

“O feminismo deve servir para subverter as relações de poder”, diz Mariana Janeiro

Feminista negra, mãe, escritora, filosofa, palestrante, Mariana Janeiro lança no interior de São Paulo neste sábado (6) movimento para formulação de ações políticas feministas a partir dos bairros e cidades

Mariana Janeiro (Reprodução/Facebook)

Feminista negra, mãe, escritora, filosofa, palestrante e candidata a deputada federal pelo PT em 2018, obtendo mais de 10 mil votos na conservadora região de Jundiaí – onde Jair Bolsonaro (PSL) teve cerca de 70% da preferência do eleitorado -, no interior paulista, Mariana Janeiro é lutadora incansável no front contra o machismo, a misoginia e o preconceito.

Neste sábado (5), ela abre um novo front da batalha no Fórum “Eu, Feminista?!”, um conjunto de palestras que tem o intuito de fazer um resgate histórico, tirar dúvidas e, principalmente, mobilizar mulheres para o embate na formulação de políticas públicas a partir das necessidades mais primárias, nos bairros e cidades, até chegar à esfera federal – onde a grande guerra está sendo travada.

“O feminismo deve servir para subverter as relações de poder. Vamos buscar esclarecer e mobilizar as mulheres para formar grupos de trabalho nas cidades e bairros e formular propostas de ações políticas feministas, que devem ser trabalhadas em uma grande jornada feminista prevista para o mês de maio”, conta Mariana, que fundou na região de Jundiaí a Rede Valentes, um grupo de formação, informação e apoio que, entre outras ações, recebe denúncias de violências contra as mulheres.

Segundo Mariana, com o avanço do machismo propagado pelo bolsonarismo, o interesse pelo feminismo vem crescendo. “Mas ao mesmo tempo há muita desinformação, falta de conhecimento dos termos, das vertentes”, diz.

O movimento, então, quer fazer um resgate histórico a partir do olhar feminista e dar continuidade a um processo que começou com outras mulheres, em outros momentos e movimentos históricos.

“O feminismo é importante para fazermos um resgate histórico, passar a entender a nossa história a partir de um recorte de gênero e de raça, que é muito importante que se faça, e organizar as mulheres para fazer esse enfrentamento, pra gente ser a resistência”, afirma Mariana.

Segundo ela, esse movimento é urgente e se faz necessário ainda mais nos micro universos das cidades, que retratam muitas vezes de forma ainda mais enfática a sociedade patriarcal representada hoje por quem detém o poder.

“É um movimento de enfrentamento e resgate histórico pra gente se entender como mulher dentro da sociedade, em um esfera maior. Em uma esfera menor, se tratando de cidades, nós também enfrentamos câmaras legislativas retrógradas, fundamentalistas religiosas, executivos que conversam com ‘Bolsodória'”, diz ela, referindo-se à dobradinha conservadora de Bolsonaro com o governador de São Paulo, João Dória (PSDB).

Em tempos sombrios, Mariana lembra que é hora de ninguém soltar a mão de ninguém. E, entre mulheres, mais que isso. É dar as mãos para continuar a dizer #elenão a cultura misógina, machista, que se revela no número crescente de casos de feminicídio.

“Não podemos ficar dispersar, pois são muitas lutas em muitas frentes, mas precisamos pensar nesse enfrentamento a partir do nosso viés de gênero. E mudando os pequenos espaços, contribuímos para mudar a esfera federal. Eu acredito nisso”.


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