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23 de janeiro de 2020, 08h17

O Globo diz em editorial que indiciamento de Glenn Greenwald é “afronta”

“Inaceitável é o MP, por meio de um procurador, buscar vingança no uso do cargo”, diz o texto

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O jornal O Globo, da família Marinho, em editorial publicado nesta quinta-feira (23), considera que o indiciamento do jornalista Glenn Greenwald é “afronta”.

O jornal lembra que “um procurador da República, Wellington Divino de Oliveira, do Distrito Federal, acaba de denunciar o jornalista americano Glenn Greenwald, radicado no Brasil, pela invasão de caixas postais de autoridades, dentro do sistema de mensagens russo Telegram”.

O Globo diz ainda que “Greenwald, do site Intercept, recebeu de hackers, devidamente investigados e sendo processados, uma grande quantidade de mensagens trocadas entre o ainda juiz da Lava-Jato Sergio Moro e procuradores, entre eles, Deltan Dalllagnol, chefe do MP na operação”.

Para o jornal, no entanto, o que importa “é rechaçar o ataque ao jornalista, protegido pelo direito de informar e do sigilo da fonte. Mesmo que ela já seja conhecida, é afrontoso tentar acumpliciar Glenn Greenwald com os hackers, com base em interpretações forçadas de frases soltas em diálogos travados entre Glenn e Walter Delgatti Neto”.

O texto ainda recorda que a Polícia Federal “nada viu nas investigações que identificasse a ‘participação material’ do jornalista nos crimes de interceptação e roubo dos diálogos”.

“Investigar o que esteve por trás da invasão de privacidade e tudo o mais não pode avançar sobre o espaço da liberdade constitucional de imprensa e, por decorrência, do jornalista. Que não pode é propagar mentiras, calúnias e difamações”, diz ainda o texto.

Ao final, o editorial alerta: “Moro e Dallagnol não reconhecem o material vazado, que não serve de prova na Justiça por ter sido roubado. Já as implicações políticas são livres numa sociedade que se pretende aberta. Inaceitável é o MP, por meio de um procurador, buscar vingança no uso do cargo”, encerra.

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