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07 de fevereiro de 2019, 23h02

O Judiciário brasileiro: uma genealogia do mal

Marcos Danhoni: “A genealogia que traço aqui é a genealogia do nazifascismo que move o Judiciário brasileiro no estupro das leis e da Constituição soberana de 1988”

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Por Marcos Cesar Danhoni Neves*

Sou físico de formação, mas com especializações (mestrado, doutorado e pós-doutorado) que me habilitaram transitar entre as ciências naturais e as ciência humanas, especialmente a educação, a história da ciência, a psicologia e as artes visuais.

Tenho como divisas de pesquisa o rigor metodológico, mas também suas nuances subjetivas nas ciências que são por si só hermenêuticas e sujeitas, de forma mais dramática, ao tipo de escola que produz o conhecimento, sem, entretanto, firmar um paradigma exclusivo, como ocorre nas ciências naturais (física, química, matemática, biologia).

Faço esse preâmbulo para analisar os recentes desastres causados especificamente pelo Judiciário brasileiro em seu trabalho titânico de desconstruir a democracia brasileira e implantar um sistema meta-1964, ou seja, que foi além dos ditames da ditadura militar tristemente implantada no ano de 1964 e que mergulhou o país numa longa noite de 21 anos de horror.

Esta destruição sistemática da Justiça erigida com muito sacrifício na construção da Constituição soberana de 1988 é liderada pelo ex-juiz Sérgio Moro, uma espécie de líder da alcateia, reunindo uma equipe coesa no estupro das leis e na implantação rápida de um neofascismo que está nos conduzindo ao desastre socioeconômico, à acirração do ódio e ao massacre de pobres e miseráveis.

Para entender esses personagens é necessário analisar o DNA destes abutres da Justiça. Fazendo uma ampla pesquisa sobre os sobrenomes dos principais atores de Moro e toda sua alcateia, chegamos a um quadro coeso de uma herança nazifascista que une essa gente tanto no papel protagonista do golpe de 2016, quanto na prisão de Lula até a eleição do miliciano Jair Messias Bolsonaro à presidência da República.

Começando pelo próprio Moro, lembramos que seu sobrenome é de origem italiana. A primeira lembrança para quem conhece História é de associar seu nome ao presidente Aldo Moro, morto pelas Brigate Rosse na década de 1970. Porém, devemos lembrar que Moro era Balila, ou seja, durante sua juventude, era fascista de carteirinha na Itália de Benito Mussolini.

Recuando ainda mais no tempo, encontramos a denominação “Moro”, como um apelido terrível para um sanguinário: o Duque Ludovico Sforza, do reino de Milão. Era um personagem tão detestável que degolava seus inimigos com as próprias mãos. Para disfarçar seus modos sanguinários mantinha em sua corte, artistas e engenheiros, tentado dar um lustre da civilidade que lhe faltava.

Da entourage direta de Moro-Sforza, lembramos o messiânico e ultrafascista Deltan Dallagnol. O sobrenome é também de origem italiana e vem de uma localidade de origem: “Dall’Agnoli” ou “de Agnoli”, um entreposto de uma região fascista na década de 20. Isto diz muito sobre o “DNA” geográfico-político desta criatura grotesca da Judiciário brasileiro, que prima por usar a religião e as redes sociais para impor uma visão fascista de “justiça” ao povo brasileiro.

O outro personagem do triunvirato, Lima, tem sobrenome de cristão-novo: denominação que foi dada aos judeus que se acovardaram na península Ibérica e mudaram seus sobrenomes hebreus para sobrenomes “cristãos”, fazendo referência a árvores ou frutas. Não precisamos nem lembrar que o neofascismo mundial hoje tem, como epicentro, Israel, que impõe uma política de genocídio aos palestinos.

Seguindo a genealogia do Mal, vamos nos deslocar para os personagens do TRF-4, a começar por Paulsen. Este sobrenome teve um triste representante pertencente à terrível GESTAPO de Adolf Hitler: o Sonderkommando Peter Paulsen. Liderava assaltos a museus e sítios arqueológicos em toda Europa, Norte da África e Rússia. O fruto de seus roubos milionários eram enviados a Berlim para o deleite do Führer.

Já o juiz Laus, achamos somente uma expressão que os soldados dos campos nazistas adoravam gritar aos judeus, ciganos, socialistas e homossexuais quando os mandavam para as câmaras de gás: “Läuse” ou “Laus”, ou seja, “piolhos”! Com esta “sentença” (pessoas supostamente acometidas de piolhos), milhões pereceram nos campos de extermínio nazistas.

Gebran, por sua vez, parece pertencer a uma genealogia árabe, talvez Al-Gebran ou Al-Gebrin. Este último deu o nome de Álgebra, como a conhecemos hoje. Mas na genealogia do Mal pode estar ligada à história do Califa Omar de Constantinopla que, após o cerco de Alexandria, pelo seu “general” Amr Ibn Al As, destruiu a famosa Biblioteca criada pelo pai de Cleópatra com quase mil anos de existência.

Carlos Eduardo Thompson Flores: este patético personagem, presidente do TRF-4 que teve o desplante, numa entrevista, de afirmar que a peça acusatória de Moro contra Lula era “perfeita”, mesmo sem tê-la lido, é parente do Coronel Thompson Flores que dirigiu-se com o “glorioso” exército brasileiro para matar todos os seguidores de Antonio Conselheiro em Canudos. Felizmente, a horda de famélicos e miseráveis lutou bravamente e matou este genocida, em uma batalha épica da quase inexistente história da Resistência brasileira.

Para não dizer que não falamos de mulheres da corte de Moro-Sforza, vamos lembrar Carolina Lebbos. Esta personagem que tem como principal fonte de renda ativos na Bolsa de Valores, segundo revelou inúmeros jornais de circulação nacional, gosta de ser chamada de “Le Bô”, orgulhando-se de uma suposta herança genealógica francesa. Pesquisando o nome, a origem deve estar ou na palavra “Le Bos”, “patrão/patroa”, ou na forma condensada de “Collaborationiste” (os “le bôs”), que eram os franceses que apoiaram a invasão da França e ajudaram Hitler a administrar o país invadido, incluindo mandando judeus, socialistas e ciganos à morte nos campos de extermínio.

Já a agora famosa, “substituta de Moro”, Gabriela Hardt, tem um sobrenome que encontramos na História ligado à Herbert Engelbert Hardt. Era um espião, travestido de repórter comercial e ligado ao Partido Nazista. Desempenhou atividades de espionagem na Argentina, Nova Zelândia e Austrália, no esforço alemão de conseguir dados de deslocamento de tropas e cargas, políticas internas e dados econômicos de países que, porventura, poderiam estar apoiando os aliados.

Já a juiza Érika Mialik Marena, que foi a responsável direta pelo suicídio do reitor Cancelier da UFSC, tem o sobrenome “Malik” provavelmente de origem polonesa. Encontramos hoje uma Polônia tomada pelos neofascistas, assim como os colaboracionistas que apoiaram a invasão do país em 1939 pelas tropas de Adolf Hitler.

Obviamente este artigo não quer demonstrar uma genealogia tout court, tentando encontrar parentescos diretos ou indiretos. A genealogia que traço aqui é a genealogia do nazifascismo que move o Judiciário brasileiro no estupro das leis e da Constituição soberana de 1988. O pacote das DesMedidas de Moro apresentado há poucos dias, em que institui o direito de matar, não deve em nada ao Duque Ludovico Sforza. Tirania, barbárie, fascismo explícito!

Necessário relembrar, mas já escrevi isso antes, que toda esta “patota do Mal”, tem ligações orgânicas entre eles: amizades, negócios, políticas. O Mal se enraiza não somente entre estes personagens, mas pelo próprio ofício do Direito, que, como uma das profissões do Império, da Corte Portuguesa, sempre se destacou pelo apego à riqueza individual em detrimento à justiça social. Assim, amizades em cursos de pós-graduações, docência conjunta em instituições privadas de ensino, viagens, palestras, negociações de deduragens-cheias-de-prêmio etc. unem, num único power point (se fôssemos montá-lo…), toda a quadrilha neofascista do Judiciário brasileiro hoje.

Não é à toa, graças à essa genealogia do Mal, que a família de neomilicianos (os Bolsonaros) que assaltou o poder em 2018 permanecerá intocada e blindada por esta “Justiça” distópica, messiânica e autoritária que tomou conta do Brasil.

Junte todos estes personagens e a expressão “Sieg, Heil”, na Berlim de 1933, não soará nada estranho no Brasil pós-golpe de 2016 …

*Marcos Cesar Danhoni Neves é professor-tTitular da Universidade Estadual de Maringá, autor do livro “Do Infinito, do Mínimo e da Inquisição em Giordano Bruno”, entre outras obras

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