“O que acontece no Brasil não é obra exclusiva de Moro ou Dallagnol”, diz Cristiano Zanin

Ao comentar sobre a influência de Bannon nos EUA e Brasil, advogado de Lula destaca caráter mundial do uso dos sistemas de Justiça para gerar efeitos políticos

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (21), o advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin, comentou sobre a parceria entre procuradores da Lava Jato com agentes do FBI, agência de investigação dos Estados Unidos, e disse que há um fenômeno mundial de uso dos sistemas de Justiça para gerar consequências políticas.

Questionado sobre os impactos no Brasil da prisão do ex-estrategista de Donald Trump e aliado ao clã Bolsonaro, Steve Bannon, Zanin afirmou que o que tem acontecido no cenário político do Brasil não é consequência de um projeto exclusivo da Lava Jato ou do ex-juiz Sergio Moro.

“Tenho certeza de que aquilo que aconteceu e continua acontecendo no Brasil não é uma obra idealizada exclusivamente por Moro ou por Dallagnol”, disse.

“Nós já temos elementos claros apontando que eles forma auxiliados informalmente por agentes dos EUA e procuradores da Suíça. O que queremos ver é como se deu essa ajuda e quais os objetivos ao realizar essa ajuda informal. Tudo isso aconteceu fora do que a legislação brasileira prevê”, continuou.

O advogado criticou a perseguição política realizada por procuradores e citou os reflexos que isso trouxe nas eleições do Brasil. De acordo com ele, no entanto, o mesmo tem ocorrido em outros países da América Latina e Europa.

“Procuradores agiram como se estivessem acima da lei, é um problema muito sério, que teve reflexos inclusive nas eleições presidenciais no nosso país”, disse. “Estão fazendo mau uso do sistema de justiça em diversos países para ter efeitos políticos e geopolíticos”, continuou.

Zanin também criticou a Lava Jato por, segundo ele, praticar lawfare contra o ex-presidente Lula em prol de um projeto político. “A Lava Jato, praticando lawfare, conseguiu construir perante a sociedade, com ajuda da imprensa, que o combate a corrupção envolvia ataques a Lula”, disse.

“Hoje sabemos que ela se apropriou dessa bandeira porque queria construir resultados políticos e geopolíticos”, finaliza.

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Confira a entrevista completa:

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Luisa Fragão

Jornalista.

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