Obediente, Lira atende líder do governo Bolsonaro e anula convocação de Braga Netto para explicar farra da picanha

Comissão da Câmara havia aprovado a convocação do ministro da Defesa para explicar os gastos milionários das Forças Armadas com carnes nobres e bebidas alcoólicas, mas presidente da Casa cassou decisão

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), decidiu nesta quarta-feira (14) ser obediente ao governo de Jair Bolsonaro e anular a convocação do ministro da Defesa, general Braga Netto, para explicar a “farra da picanha” nas Forças Armadas aos deputados da casa legislativa.

A convocação do ministro havia sido aprovada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) da Câmara no dia 31 de março, semanas após o deputado Elias Vaz (PSB-GO) descobrir, através de dados do Ministério da Economia, que o governo fez compras milionárias que incluíam 80 mil cervejas e 714 mil quilos de picanha – além de 1,3 milhão de quilos de carvão – para servir as Forças Armadas. Vaz, inclusive, é o autor do requerimento para que Braga Netto prestasse esclarecimentos.

Lira, no entanto, acatou pedido do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), e anulou a convocação. A justificativa do presidente da Casa e de Barros é que o requerimento não especificava o nome de quem seria convocado, mas apenas o cargo de ministro da Defesa, visto que, no dia da aprovação do pedido, Braga Netto havia acabado de ser oficializado como novo titular da pasta, mas ainda não havia tomado posse.

“A convocação de ministro de estado tem caráter pessoal, não se podendo, portanto, aprovar requerimento de convocação sem expressamente nominar a autoridade a ser convocada”, disse Lira.

Pelas redes sociais, Elias Vaz, autor do requerimento de convocação de Braga Netto, afirmou que Lira, ao anular o ato, “rasgou a Constituição”. “Nós, deputados, temos direito e obrigação de fiscalizar o governo. Propus a convocação do ministro para explicar as compras de alimentos de luxo para as Forças Armadas e foi aprovada de forma legal. Vamos recorrer ao STF”, anunciou.

Notícias relacionadas

Avatar de Ivan Longo

Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.