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10 de março de 2019, 15h30

Oferecendo cargos no segundo escalão, Bolsonaro dá início ao “vale tudo” pela Reforma da Previdência

Em texto no Estadão, a jornalista Eliane Cantanhêde defende que a prática é “legítima” e “comum a todos os governos”, mas, até quando interessava aos conglomerados de mídia, era chamada de “toma lá dá cá”

Bolsonaro e Rodrigo Maia (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

Reportagem de Eliane Catanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo deste domingo (10), revela que a visita do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) oficializou o “vale tudo” para garantir a aprovação da Reforma da Previdência.
Em encontro neste sábado (9), os dois teriam acertado que o Planalto acatará indicações de parlamentares para cargos do segundo escalão do governo em troca de votos.

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A barganha busca atender os pedidos também de partidos que não se declaram oficialmente da base aliada, mas demonstram disposição em aprovar o “pacote de maldades” de Bolsonaro – se assim lhes for conveniente, é claro. No texto, Cantanhêde defende que a prática é “legítima” e “comum a todos os governos”, mas, até quando interessava aos conglomerados de mídia, era chamada de “toma lá dá cá”.

Além disso, o gesto de Bolsonaro representa mais uma contradição ao discurso populista e moralista que o levou ao Palácio do Planalto. Na conversa de sábado, ficou acertado ainda que o Legislativo concluiria a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para, só depois, iniciar o debate sobre as mudanças na previdência dos militares, que ainda sequer foram encaminhadas à Câmara.

 

Pró-reforma
Rodrigo Maia já deu outros sinais de que está disposto ajudar o governo na aprovação da Reforma da Previdência. O parlamentar vem pressionando o Planalto a retirar do texto as mudanças no pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que, se aprovadas, condenarão à miséria idosos de baixa renda, pois passariam a receber pelo benefício R$ 400,00 em vez dos R$ 998,00 mensais pagos atualmente.

A medida “gera” cortina de fumaça para que o texto do governo pareça mais palatável junto à opinião pública, que elegeu este como o ponto mais cruel da PEC. Eventual “recuo” do governo pode desviar a atenção de outros debates cruciais em torno da Reforma, tanto no mérito (como nas propostas para regras de transição, ainda mais nocivas do que as pleiteadas por Michel Temer) quanto no aspecto jurídico.

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