Olho na eleição: Governo monta esquema de guerra para aprovar Auxílio Brasil

PEC dos Precatórios deve ser votada quarta-feira (03), na Câmara, e há grande chance de ser rejeitada, o que acabaria com a intenção de Bolsonaro de dar R$ 400 reais a 17 milhões de famílias durante o ano eleitoral

Os ministros do governo Bolsonaro e os líderes da base aliada no Congresso montaram um verdadeiro esquema de guerra nos últimos dias para forçar a aprovação da chamada PEC dos Precatórios, o projeto de Emenda Constitucional que possibilitaria a abertura de R$ 83 bilhões excedentes para o orçamento do próximo ano, o que permitiria ao presidente colocar em prática seu projeto eleitoreiro batizado de Auxílio Brasil, dando R$ 400 para 17 milhões de famílias apenas durante o ano de 2022, quando ocorrerá a disputa pelo Palácio do Planalto.

Seriamente ameaçada de derrota, a PEC dos Precatórios tornou-se ponto central para a combalida e caótica gestão de Bolsonaro, que diante do derretimento da imagem do presidente aposta todas as fichas na instituição de uma medida que, na prática, troca voto por dinheiro, uma vez que o Auxílio Brasil tem caráter temporário e orçamento instável e questionável, substituindo o consolidado e reverenciado Bolsa Família.

Quem também tem interesse na aprovação da PEC é o presidente da Câmara, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), que tenta se cacifar como grande negociador e fiador do governo extremista de Jair Bolsonaro. O parlamentar vem tendo sua influência contestada por aliados nos últimos meses após as sucessivas derrotas de pautas de interesse do Planalto na Casa.

Os ministros Ciro Nogueira, da Casa Civil, Flávia Arruda, da Secretaria de Governo, e João Roma, da Cidadania, são os que têm mais se movimentado em torno da aprovação da proposta. Eles mantêm contato constante com prefeitos de todo país para que deputados contrários à PEC sejam pressionados por esses administradores municipais a votar favoravelmente.

Lira também estaria especialmente engajado em alterar um ponto do texto da PEC dos Precatórios. Há um trecho do documento que dificulta o pagamento de precatórios ligados à educação para estados e municípios. Na prática, essa parte da proposta versa sobre o antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) e trata sobre R$ 16 bilhões, sendo que 60% seriam destinados ao pagamento de professores da rede pública. Este aspecto gera forte rejeição em grande parte dos parlamentares.

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Henrique Rodrigues

Jornalista e professor de Literatura Brasileira.