O que o brasileiro pensa?
29 de junho de 2020, 16h53

Oposição pede mudança de relator de cassação de Eduardo Bolsonaro após vídeo com presidente

A ação tem a ver com a defesa de um novo AI-5, feita pelo filho de Jair Bolsonaro em outubro do ano passado

Eduardo Bolsonaro estampando o rosto de um de seus ídolos (Arquivo)

PSOL, PT e PCdoB enviaram um ofício nesta segunda-feira (29) ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados pedindo a troca do parlamentar responsável pela relatoria do pedido de cassação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que tramita desde 2019.

O deputado federal Igor Timo (Podemos-MG), até então designado como relator, apareceu em vídeo na semana passada ao lado do presidente Jair Jair Bolsonaro, pai de Eduardo, agradecendo ao ex-capitão por recursos enviados à Minas Gerais.

Na nota, os partidos de oposição afirmam que a atitude de Timo “compromete a credibilidade do presente Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, tornando o seu parecer preliminar acerca do caso tratado em tela com conteúdo previsível e potencialmente viciado, visto a proximidade que o mesmo adquiriu perante o genitor do deputado federal representado”.

O processo relatado por Timo tem a ver com declaração feita pelo filho do presidente em outubro do ano passado sobre o AI-5. “Tudo é culpa do Bolsonaro. Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta e uma resposta ela pode ser via um novo AI-5”, afirmou em entrevista à jornalista Leda Nagle, no YouTube.

O Ato Institucional de número 5, instaurado em dezembro de 1968 pela ditadura, que resultou na perda de mandatos de parlamentares e ministros do STF, intervenções em estado, municípios e organizações civis, além da suspensão de garantias constitucionais que resultaram na institucionalização da tortura pelo Estado.

A fala gerou grande repercussão na época e fez até Jair Bolsonaro contrariar o filho.

A líder da bancada do PSOL, Fernanda Melchionna, defendeu a continuidade do processo, parado no Conselho de Ética. “Eduardo Bolsonaro ameaçou o povo brasileiro com o ato mais violento e sombrio da ditadura: o AI-5. A publicação de vídeos elogiosos e que mostram proximidade política e pessoal demonstram que não há a imparcialidade necessária ao relator Igor”, afirmou.

Assista ao vídeo de Timo com Bolsonaro:


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