Plínio Teodoro

27 de novembro de 2019, 17h27

Os pequenos burgueses do Ministério Público e o partido da Lava Jato

São centenas de Moros, Dallagnóis e Gotardos que se acotovelam por um lugar no status quo, dentro de um mundo ilusório de Batmans, Super-Homens e filmes de Hollywood a que tiveram acesso enquanto devoravam danoninhos e bolachas recheadas

Procuradores da Lava Jato em pose para a Veja (Arquivo)

Em sua sustentação no Tribunal Regional Federal da 4ª Região hoje, o procurador da Lava Jato Maurício Gotardo disse que Lula gerou “o desequilíbrio político que permite que hoje se chegue ao cúmulo de se dar alguma atenção a ideias terraplanistas”.

O raciocínio é tão estapafúrdio quanto todo o processo “investigativo” que gerou o caso que estava sendo julgado em segunda instância, sobre a condenação de Lula por ser dono do sítio de Jacob Bittar em Atibaia.

A realidade é que a Lava Jato oficializou um partido político que aglutina pequenos burgueses criados lendo gibis do Batman e do Super-Homem e vendo ficções de Hollywood enquanto dedicavam horas e horas para estudar para concursos públicos que lhe garantiriam benesses para curtir a vida vez por outra na disneilândia.

São centenas de Moros, Dallagnóis e Gotardos que se acotovelam por um lugar no status quo, dentro de um mundo ilusório a que tiveram acesso enquanto devoravam danoninhos e bolachas recheadas.

A superficialidade com que investigam, condenam e analisam temas extremamente complexos, como o intrincado sistema político-financeiro-judiciário, que está na raiz do fosso da desigualdade social do país, é inversamente proporcional à prepotência com que defendem teses esdrúxulas como a de que o “problema da escravidão aqui no Brasil foi porque o índio não gosta de trabalhar”, como regurgitou o procurador Ricardo Albuquerque, do Ministério Público do Pará (MPPA).

É em meio a essa manada que florescem ideias como as propagadas por mentes oportunistas como a de Olavo de Carvalho, semeadas por uma visão fragmentada de mundo com o ódio típico de crianças mimadas que buscam sempre culpar o outro por seus vazios e frustrações.

Foi em meio a esse mar de ignorância que foram implantadas as fake news e pós-verdades, para se confundir realidade e ficção, que estão alçando ao poder uma horda de fascistas neoliberais que não temem e não têm o mínimo de vergonha de expor seus preconceitos, sua superficialidade e sua sanha em eliminar tudo aquilo que desagrade seu ego inflado de pequeno burguês.

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