Exclusivo: Padaria que vendeu bombons ao governo Bolsonaro tem contratos com Exército

Filho e suposto sócio de empresária que vendeu R$ 15 milhões em leite condensado ao governo federal também têm ligações com as Forças Armadas

A padaria que fez parte da venda milionária de bombons ao governo de Jair Bolsonaro em 2020 – cerca de R$ 8,8 milhões – também fechou diversos contratos com o Ministério da Defesa, em especial com o Exército e Aeronáutica, ao longo do ano. Compras variam de R$ 20 a quase R$ 30 mil.

Segundo levantamento realizado pela Fórum no Portal da Transparência do governo federal, a última venda da Estela Panificadora e Confeitaria Eireli, de Fernanda Borba Cavalheiro, foi realizada em 28 de dezembro de 2020 ao Comando do Exército. Ao todo, foram repassados R$ 7,5 mil pelos produtos do estabelecimento.

Entre pequenos repasses de R$ 200, R$ 300 e R$ 400, a maioria para o Ministério da Defesa, a padaria também fez vendas com lucros que chamam atenção. Em novembro do ano passado, por exemplo, foi fechado um repasse de R$ 29,8 mil só com o grupo de apoio do Comando da Aeronáutica em Curitiba.

Uma outra venda de R$ 11 mil, em setembro daquele ano, também foi realizada com a Defesa. Desta vez, para o grupo de artilharia de Campanha do Exército.

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) divulgou na noite desta terça-feira (26) que a empresa tem como sede uma casa simples na cidade de Campo Largo, Paraná. De acordo com a parlamentar, a empresa “vendeu em larga escala milhões de bombons pro Governo, a princípio com R$ 89 a unidade. Ou uma caixinha”.

Ainda não se sabe, no entanto, se a padaria foi a única responsável pela venda milionária de bombons ou se outros estabelecimentos também fizeram parte do negócio.

Os contratos da Estela Panificadora e Confeitaria Eireli vieram à tona junto com a informação de que o governo Bolsonaro gastou R$ 15 milhões com leite condensado em 2020. Todos os dados constam no Portal da Transparência do governo federal.

A empresa responsável pela venda do leite condensado, a “Saúde & Vida Comercial de Alimentos Eireli”, também teve fornecimento para as Forças Armadas. O contrato com esse setor totalizou cerca de R$ 12 milhões em 2020.

A empresa pertence a Azenate Barreto Abreu, que é casada com o pastor Elvio Rosemberg da Silva Abreu e mãe de Elvio Rosemberg da Silva Abreu Júnior, que também fechou contrato no valor de R$ 25 milhões com o governo. Eles seriam de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, mas a sede da empresa seria em Brasília.

O filho de Azenate, Elvio Rosemberg da Silva Abreu Júnior, foi oficial temporário da Infantaria. Já Walmerson Ryller Candido de Araújo, um dos sócios da mulher, é terceiro sargento do Exército.

Um dos supostos responsáveis pela Saúde & Vida, no entanto, negou que tenha realizado a venda milionária de leite condensado ao Palácio do Planalto.

A informação foi desmentida em nome da dona da empresa, Azenate Barreto Abreu, por um homem que ainda não foi identificado. A conversa com ele foi compartilhada nas redes sociais pela escritora Daniela Abade, que teve acesso ao número de celular da empresária.

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Luisa Fragão

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