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20 de maio de 2018, 12h10

Panela de Curitiba ferve, diz Tacla Duran no Twitter

Ex-funcionário da Odebrecht fez a provocação, em referência às informações de que doleiros delataram que davam dinheiro para advogado em troca de proteção no caso Banestado

Foto: Reprodução/Vídeo

O advogado Rodrigo Tacla Duran, ex-funcionário da Odebrecht, investigado na Operação Lava Jato, que está na Espanha, publicou em seu Twitter uma pequena provocação: “Panela de Curitiba ferve”, em referência à matéria publicada neste sábado por Ricardo Galhardo, do Estado de S.Paulo. Acusados de compor um esquema chefiado pelo “doleiro dos doleiros”, Dario Messer, dois outros doleiros – Vinícius Claret, conhecido como “Juca Bala”, e Cláudio de Souza – revelaram, em delação premiada ao Ministério Público Federal, que entre 2006 e 2013 foi montado um esquema de corrupção em Curitiba. Ambos garantiram que pagavam uma taxa mensal de proteção, no valor de US$ 50 mil (cerca de R$ 186 mil), ao advogado Antonio Figueiredo Basto e um colega, cujo nome não foi divulgado, para não serem presos, em função das delações do caso Banestado, que correu na jurisdição de Sergio Moro. O advogado, por conta da propina, defendia os doleiros no Ministério Público e na Polícia Federal. Essas informações corroboram justamente depoimentos de Tacla Dura. Por isso, sua menção no Twitter.

Figueiredo Basto é considerado um dos principais especialistas do Brasil em colaborações premiadas. Na Lava Jato, foi o responsável por negociações e acordos de delação de Lúcio Funaro, Renato Duque, Ricardo Pessoa, entre outros. Em 2004, intermediou o primeiro acordo nesse formato no país no caso do Banestado, em nome do doleiro Alberto Youssef.

Em matéria publicada neste domingo (2), no Diário do Centro do Mundo, Joaquim de Carvalho questiona: “Sempre tão falante através do Facebook — agora ele entrou em guerra aberta com o ministro do STF Gilmar Mendes —, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima não deu um pio a respeito da delação de dois doleiros no Rio de Janeiro sobre a cobrança de propina para garantir proteção no Ministério Público Federal e na Polícia Federal de Curitiba”, diz. “O ponto principal é outro: Dario Messer e seus operadores nunca foram, de fato, incomodados por Moro, o Ministério Público Federal ou a Polícia Federal de Curitiba, contrário de seus concorrentes”, analisa.

“Talvez seja por apostar nos panos quentes da velha imprensa que Carlos Fernando dos Santos Lima silenciou quanto à reportagem de O Estado de S.Paulo. Carlos Fernando, o mais antigo na equipe da Lava Jato, linha de frente no caso Banestado, poderia dizer que o esquema denunciado pelos doleiros ligados a Messer lembra o funcionamento da máfia: pagar por proteção. Poderia falar da necessidade de investigar. Poderia até dar seu próprio testemunho e contar por que só uma pequena parte dos envolvidos no Banestado acertou contas com a Justiça. A maioria foi poupada. Mas Carlos Fernando, em vez de falar, desta vez preferiu o silêncio. E vai continuar tentando espinafrar Gilmar Mendes, porque os procuradores sabem que o ministro já não conta com a proteção das redações como antes”.


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