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17 de novembro de 2019, 06h29

Para Collor, Bolsonaro corre risco de impeachment: “Estou revendo um filme que a gente já viu”

Para Collor, “o discurso dele acentua a divisão. Com a soltura do Lula, a tendência é que essa divisão se abra ainda mais”

Foto: Antônio Cruz/EBC/FotosPúblicas

O ex-presidente Fernando Collor disse, em entrevista à coluna de Bernardo Mello Franco, publicada no Globo deste domingo (17), que o presidente Jair Bolsonaro está cometendo os mesmos erros que o levaram ao impeachment. “Continuando do jeito que está, eu não vejo como este governo possa dar certo. São erros primários”, afirma.

“Vejo semelhança entre o tratamento que eu concedi ao PRN e o que ele está conferindo ao PSL. Em outubro de 1990, nós elegemos 41 deputados. O pessoal queria espaço no governo, o que é natural. Num almoço com a bancada, eu disse: ‘Vocês não precisam de ministério nenhum. Já têm o presidente da República’. Erro crasso. Estou dizendo porque eu já passei por isso. Estou revendo um filme que a gente já viu. Vai ser um desassossego para ele.”

Por conta disto, Collor considera que o impeachment é uma das possibilidades. “Bolsonaro não vem se preocupando com a divisão da sociedade brasileira, que se aprofunda. O discurso dele acentua a divisão. Com a soltura do Lula, a tendência é que essa divisão se abra ainda mais.

Os filhos

Ele acha que os filhos exercem uma ação deletéria sobre o governo Bolsonaro. “É uma coisa nociva. Nem na época da monarquia funcionava desse jeito. Como é que o presidente dá a senha do seu Twitter? Depois é muito fácil: “Isso não fui eu, mandei tirar”.

A respeito da fala de Eduardo Bolsonaro sobre um novo AI-5, o ex-presidente afirmou considerar “absolutamente inadmissível”. Para ele, “são declarações que vêm do núcleo duro do presidente, com o assentimento dele. Essa questão de fechar o Supremo com um cabo e um soldado. O que é isso? Onde é que nós estamos? Ele não podia ter falado nada parecido”, disse.

Sem espaço para golpe

Ao final, Collor disse que não vê espaço para um golpe. “Ele tem uma sensibilidade maior que nós, civis, para medir a temperatura da caserna. As Forças Armadas estão trabalhando dentro dos moldes constitucionais. Não temo (um golpe) porque confio nas Forças Armadas”.

 


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