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15 de outubro de 2018, 09h39

Para ganhar, Haddad tem que ser o candidato de uma frente de defesa da democracia, diz Marcos Nobre

Para filósofo, a primeira coisa é chamar Ciro Gomes e dizer: “Eu abro mão de me candidatar à reeleição se for eleito e acho que Ciro deveria ser nosso candidato em 2022”.

Foto: Ricardo Stuckert

Mestre e doutor em filosofia pela USP e professor da Unicamp, Marcos Nobre afirmou em entrevista na edição desta segunda-feira (15) da Folha de S.Paulo, que “se quiser ganhar, Haddad tem que ser o candidato de uma frente de defesa das instituições democráticas”. “Se quiser ser o candidato do PT, vai perder. E o peso de uma possível regressão autoritária vai cair sobre as costas do PT. Vão perguntar: “por que, então, não deixou o Ciro ir?”, afirmou.

O filósofo acredita que Haddad precisa fazer gestos concretos para atrair o apoio de candidatos derrotados no primeiro turno e também de representantes importantes das instituições democráticas.

“A primeira coisa é chamar Ciro Gomes e dizer:  ‘Eu abro mão de me candidatar à reeleição se for eleito e acho que nessa frente que montamos Ciro deveria ser nosso candidato em 202’. Com isso, afasta-se o medo que as pessoas têm de que o PT vai se perpetuar no poder. A segunda coisa é tomar pontos programáticos não só dos partidos que apoiarão Haddad, como PSOL, PDT e PSB, mas também tomar de outras candidaturas, de maneira unilateral, sem ter o apoio deles, sinalizando: ‘eu quero você dentro do meu governo'”.

Segundo ele, chamar Jair Bolsonaro (PSL) para o debate ou fazer com que ele se responsabilize pela violência de seus apoiadores são medidas pouco efetivas. “Se Bolsonaro tivesse alguma responsabilidade, iria para a TV e diria para essas pessoas: parem. Só que ele tem um problema. Se disser para essas pessoas pararem, está aceitando que é responsável por essa violência”.

Para Marcos Nobre, há algum tempo a mídia tradicional e o mercado buscam “civilizar” a figura de Bolsonaro. “No momento em que ficou claro que as forças anti-PT e antissistema confluíram para a candidatura dele, passaram a tentar civilizar Bolsonaro. Mas Bolsonaro já deixou absolutamente claro que é incivilizável. Há uma ilusão da elite pensante de que é um candidato controlável”.

O filósofo diz ainda que a tentativa mais forte de “normalizar” Bolsonaro é compará-lo a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. “São incomparáveis. Nunca houve uma ditadura militar nos EUA. Nunca o cara que ganhou uma eleição nos EUA apoiou uma ditadura militar. As instituições americanas têm uma solidez que aguenta o Trump. Imagine um presidente autoritário no Brasil, com instituições em colapso, como são as nossas? Não há instituição democrática que aguente Jair Bolsonaro”.

Leia a entrevista completa.


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