quarta-feira, 30 set 2020
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Para guru do DEM, candidatura de Jair Bolsonaro já está em queda

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O estatístico Paulo Guimarães afirmou que Lula tem potencial para elevar para 20% a 22% as intenções de voto do candidato do PT, seja Fernando Haddad ou Jaques Wagner, no caso da não participação do ex-presidente. Em entrevista a Raphael Di Cunto, do Valor, Guimarães revelou que esses números significam que há uma boa possibilidade de o PT chegar ao segundo turno. No entanto, ela alerta que a transferência de votos não deverá superar esse percentual e que isso só acontecerá dependendo das condições de Lula fazer campanha, mesmo preso, segundo o estatístico, que tem 29 anos de atuação em campanhas de vários partidos.

Considerado o guru do ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM), que ele ajudou a eleger em 1992, quando a maioria dava a eleição como perdida, Guimarães afirma que Jair Bolsonaro é vítima do mesmo movimento que tirou Marina Silva (Rede) do páreo em 2014: a suposta estabilidade ou crescimento nas pesquisas esconde um percentual elevado de eleitores que pensaram em votar nele e desistiram. O brasileiro primeiro diz que vai votar em alguém para depois prestar atenção nas ideias. “Ele vê uma mulher bonita e diz: é essa. Mas depois percebe que tem mau hálito e vai atrás de outra. Esse movimento é constante na eleição”, diz.

Confira algumas opiniões do estatístico:

Posso garantir que nem o Lula, nem Bolsonaro, nem os outros 15 ou 16 pré-candidatos, são opositores ao Temer. Para ser opositor a sua intenção de voto, dentro dos que têm avaliação ruim ou péssima do governo, tem que ser maior que a sua média. E ninguém se posiciona aí. Hoje é espaço desocupado e é onde tem 42% do eleitorado sem candidato, voando. E isso coloca qualquer um no segundo turno.

O que tem força é o Lula falar “o ‘Paulinho’ é meu candidato”. Com o [José] Serra para prefeito de São Paulo em 2004 já passamos por isso. Dentro da imagem positiva do Alckmin, que era governador, quem ganhava era a (então prefeita) Marta Suplicy. Quando o Alckmin falou “peraí, meu candidato é o Serra”, acabou com a Marta, destruiu a Marta. É assim que funciona. Não adianta eu falar “sou amigo do Lula também” porque na hora que o Lula disser “é mentira, ele não é meu amigo”, desmorona.

Se os 17%, 20%, que o Bolsonaro tem hoje serão suficientes para o segundo turno só o tempo vai dizer porque está muito fragmentado. Em 2002 o Serra passou para o segundo turno com 18% (dos votos totais, 24% dos válidos). Já na última eleição, a Marina, com 21% (dos votos válidos), não foi. Mas as pesquisas mostram que o Bolsonaro já perdeu muitas pessoas que pensaram em votar nele e já não pensam mais.

É o que se identifica com o grupo controle. Você pega três mil eleitores de um candidato e acompanha como se comportam durante a campanha. O Bolsonaro vem perdendo 20% dos eleitores a cada mês. Se tem 100 eleitores, perde 20 a cada mês. Mas não tem aparecido nas pesquisas quantitativas porque ele ganha outros 20%. É um movimento que ocorre com todos os candidatos, mas com mais intensidade com quem está na frente. Primeiro vem a onda de votar em alguém, vou votar no Bolsonaro, depois começo a prestar atenção no que ele fala. E aquilo pode não me atrair, desisto e não volto mais a pensar em votar naquele candidato.

Leia a entrevista na íntegra no Valor

Redação
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