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05 de setembro de 2019, 19h41

Para procuradores, Bolsonaro promove “maior retrocesso democrático” ao indicar Aras para PGR

Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR) já convocou um protesto contra a decisão de Bolsonaro de escolher um nome fora da lista tríplice para a PGR

Moro e Bolsonaro em live (Foto: Carolina Antunes/PR)

A Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR) divulgou nota no início da noite desta quinta-feira (5) criticando a decisão do presidente Jair Bolsonaro de indicar Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e não seguir a lista tríplice organizada pela entidade. Integrantes da Operação Lava Jato replicaram a nota e também fizeram críticas contra Bolsonaro.

“A escolha significa, para o Ministério Público Federal (MPF), um retrocesso institucional e democrático. O indicado não foi submetido a debates públicos, não apresentou propostas à vista da sociedade e da própria carreira. Não se sabe o que conversou em diálogos absolutamente reservados, desenvolvidos à margem da opinião pública. Não possui, ademais, qualquer liderança para comandar uma instituição com o peso e a importância do MPF. Sua indicação é, conforme expresso pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, uma escolha pessoal, decorrente de posição de afinidade de pensamento”, diz trecho da nota da ANPR.

A associação destaca que Bolsonaro tem uma “compreensão absolutamente equivocada sobre a natureza das instituições em um Estado Democrático de Direito” e conclama os procuradores a aderirem a um Dia Nacional de Mobilização e Protesto “diante da absoluta contrariedade da classe com a referida indicação”, previsto para a próxima segunda-feira (9).

Operação Lava Jato

Os integrantes da Operação Lava Jato ainda não divulgaram nota oficial – como tem sido de costume -, mas duas das integrantes já explicitaram a contrariedade com a decisão. Jerusa Viecili, que pediu desculpas a Lula por comentários revelados pela Vaza Jato, republicou a nota da ANPR, enquanto Janice Ascari destacou o desprezo de Bolsonaro pelo MPF.

“Presidente Jair Bolsonaro demonstra todo o seu desprezo pelo Ministério Público e pelo debate democrático e transparente de ideias. Não sabemos o que Augusto Aras pensa. Ele nunca conversou conosco, nunca expôs seus projetos ou ideias. Que dia triste”, declarou Ascari.

As duas procuradoras aparecem em diálogos da Vaza Jato como críticas à adesão do ex-juiz Sérgio Moro ao governo Bolsonaro. Ascari considera que “Moro se perdeu na vaidade“, enquanto Jerusa temia que a Lava Jato fosse vista como “co-responsável pelos acontecimentos eleitorais de 2018”.

Mensagem enviada por Jerusa em 31 de outubro de 2018 ao Filhos de Januário 3:

Jerusa Viecili – 14:45:52 – Pessoal, desculpem voltar ao assunto (sou voto vencido), mas, somente esta semana, várias pessoas, inclusive alguns colegas e servidores, me questionaram a ausência de manifestação da FT diante de alguns posicionamentos dos candidatos à presidência. Fato é que sempre nos posicionamos diante de várias ameaças ao nosso trabalho e, nos últimos dias, temos ficado silentes, mesmo com ameaças de candidatos à independência do Ministério Público (nomeação de PGR fora da lista tríplice) e à liberdade de imprensa. Em outros tempos, por motivos outros, mas igualmente relevantes e perigosos, divulgamos nota, convocamos coletiva e ameaçamos renunciar (!). Agora, jornalistas escrevem no Twitter que a LAVA JATO é caso de desaparecido político, pois já alcançou o que queria. Acho muito grave ficarmos em silêncio quando um dos candidatos manifesta-se contra a nomeação do PGR da lista tríplice, diante de questões ideológicas. Mais grave ainda, assistirmos passivamente, ameaças à liberdade de imprensa quando nós somos os primeiros a afirmar a importância da imprensa para o sucesso da Lava Jato. Igualmente grave, candidatos divulgarem nomes de futuros ministros que são alvos de investigações e processos por corrupção. Nossa omissão também tem peso e influência. Eu sinceramente não quero (e isso a penas a história dirá) que a Lava Jato seja vista, no futuro, como perseguição ao PT e, muito menos, como co-responsável pelos acontecimentos eleitorais de 2018. . . .

 


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