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15 de março de 2018, 13h53

Paulo Pimenta: “Marielle, presente”

Tenho certeza que essa tristeza e o sentimento de revolta nos dará ainda mais força para continuar lutando. E lutando pelos mesmos sonhos

Fiquei extremamente chocado e profundamente triste. Uma mulher corajosa, determinada, lutadora que não se calava diante das injustiças – Foto: Gustavo Lima/Agência Câmara

“– Quem estará nas trincheiras ao teu lado?
– E isso importa?
– Mais do que a própria guerra” (Ernest Hemingway)

Ontem à noite, quando tomei conhecimento do assassinato da vereadora Marielle (PSOL), fiquei extremamente chocado e profundamente triste. Uma mulher corajosa, determinada, lutadora que não se calava diante das injustiças.

Imediatamente, lembrei-me de quando estivemos juntos no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro. Era abril de 2015. Eu era presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

Naquele ano, outra notícia havia chocado o país: o assassinato do menino Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, por um tiro de fuzil, disparado por policiais. Na mesma hora, liguei para o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Informei-o que levaria a Comissão de Direitos Humanos para o Rio de Janeiro. Combinamos várias ações em conjunto.

Horas depois, numa segunda-feira (6 de abril) cheguei ao Rio de Janeiro. O deputado Marcelo Freixo me informou que uma jovem, companheira de luta, chamada Marielle iria acompanhar nossa visita ao Morro do Alemão.

Fui recebido no Rio de Janeiro, então, pela jovem Marielle. Uma guerreira, uma militante e uma mulher extremamente gentil. Saímos do centro do Rio em direção ao Morro do Alemão. Nos reunimos com os moradores. Almoçamos na comunidade.

À tarde, voltamos para a Assembleia Legislativa, para o gabinete de Marcelo Freixo, onde houve um ato em memória do menino Eduardo e recebemos várias denúncias de vítimas da violência das comunidades cariocas.

Saímos da Assembleia. Voltamos para o Morro do Alemão. Entre idas e vindas de ônibus e Brt, pelo Rio, Marielle falava com orgulho da luta diária dos moradores das comunidades do Rio; indignava-se com o preconceito sofrido pela população, uma maioria trabalhadora, honesta; reclamava da falta de investimento em políticas públicas, escolas e opções para a juventude; e não se conformava com as ações de violência do Estado sobre as comunidades.

Um ano depois, em 2016, fiquei muito feliz em saber que Marielle havia sido eleita vereadora no Rio de Janeiro. Um mandato combativo, que nunca se calou diante das injustiças, sem medo de enfrentamentos, e em favor de quem vê seus direitos sistematicamente negados pelo Estado.

Até que ontem, veio a notícia da execução da vereadora Marielle. Tenho certeza que essa tristeza e o sentimento de revolta nos dará ainda mais força para continuar lutando.

E lutando pelos mesmos sonhos, Marielle.
Esse é um dever para quem fica, para quem admira ela e para quem sempre combateu do mesmo lado de Marielle.

Vamos à luta!

Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara


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