Pazuello tentou convencer OMS sobre “tratamento precoce”

Documento enviado pelo Itamaraty à CPI do Genocídio revela tentativa feita pelo general sobre terapia sem eficácia comprovada

O general Eduardo Pazuello ofereceu à Organização Mundial da Saúde (OMS) “conhecimentos” sobre o suposto tratamento precoce contra a Covid-19 – que não possui eficácia comprovada – quando ocupou o Ministério da Saúde. Essa revelação foi feita pelo Ministério das Relações Exteriores em documento enviado à CPI do Genocídio.

Reportagem das jornalistas Natália Portinari e Julia Lindner, em O Globo, revela que a documentação obtida pelos senadores mostra que Pazuello trabalhou pela terapia ineficaz em setembro, período em que a OMS buscava adesão de países ao consórcio Covax Facility, no qual o Brasil entrou com uma cota mínima.

Segundo o relatório, Pazuello “ofereceu à OMS o compartilhamento de protocolo desenvolvido no Brasil para tratamento precoce da doença, fruto de conhecimento acumulado nas diferentes regiões do país. Ponderou que a conversação com a OMS será mais eficaz se os dois lados mantiverem perfil discreto”.

O “protocolo desenvolvido” não possui eficácia comprovada.

O Itamaraty aponta que o secretário-geral da organização, Tedros Adhanom, “sublinhou que o interesse da OMS seria apoiar o Brasil em salvar vidas” e que teria interesse em saber mais sobre o tratamento. A organização seguiu reforçando que a hidroxicloroquina e a cloroquina não funcionam contra a Covid.

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e latino-americanista convicto, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum América Latina