segunda-feira, 26 out 2020
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PCB retira candidatura pra apoiar Boulos e Erundina

O partido afirma que é viável uma Frente Única de esquerda em São Paulo

O PCB anunciou neste domingo (13) a retirada da pré-candidatura de Antonio Carlos Mazzeo à Prefeitura de São Paulo com o objetivo de apoiar a chapa formada pelo líder do MTST, Guilherme Boulos, e pela deputada federal Luiza Erundina, ambos do PSOL.

“Precisamos buscar unir o conjunto da classe trabalhadora, em suas lutas e expressões políticas, sociais e culturais nas eleições e para além destas. Por isso a necessidade da construção de uma Frente Única de esquerda nessas eleições”, diz trecho da nota divulgada pelo partido.

O partido lamenta as dificuldades de reorganização da esquerda após o golpe de 2016 e a ausência de uma Frente Única de esquerda no país para as eleições municipais, mas aponta que em São Paulo ainda é possível. “Na cidade de São Paulo, diante do apelo de massas da candidatura de Boulos e Erundina, protagonismo de movimentos populares, como o MTST, a construção de uma Frente Única se torna viável e necessária para levarmos essa candidatura à vitória nas eleições”, afirma a legenda.

“Conclamamos todos os lutadores sociais a construírem a resistência através da Frente Única e nas candidaturas de Boulos e Erundina, e no caso para a vereança, fortalecer as candidaturas populares e revolucionárias do PCB”, completam.

Apesar de Boulos aparecer em segundo em pesquisa do Atlas Político, outras legendas do campo de esquerda decidiram lançar candidatura própria, como o PT, com Jilmar Tatto – apesar de petistas históricos endossarem Boulos -, e o PCdoB, com Orlando Silva. PSB e PDT constroem a candidatura de Márcio França (PSB).

Confira a nota na íntegra:

COMUNISTAS COM BOULOS E ERUNDINA: UNIR A CLASSE TRABALHADORA SOB UM PROGRAMA DE LUTAS E CONSTRUIR O PODER POPULAR EM SÃO PAULO!
Nota Política do Partido Comunista Brasileiro – São Paulo

Em São Paulo e em todo o Brasil, os trabalhadores sofrem com os mesmos problemas que se espalham em todo o mundo capitalista. O desemprego cresce a ritmo acelerado na cidade; a inflação corrói os salários dos empregados; milhares de famílias sofrem sem ter moradia; o transporte, a educação e a saúde públicos não atendem às necessidades dos trabalhadores e trabalhadoras. A pandemia do covid-19 agravou ainda mais esse quadro, vitimando especialmente os brasileiros pobres. Avançam a passos largos programas de privatização de serviços sociais fundamentais, como as OSs na Saúde e os convênios na educação. Além disso, os grandes capitalistas empreendem um ataque frontal aos direitos dos trabalhadores, tanto do setor público (como o desmonte da previdência pública e a aniquilação do servidorismo público) quanto do privado (aumentando a precarização e a exploração por meio do trabalho informal, como no caso dos trabalhadores de entregas por aplicativo). O déficit habitacional e os preços abusivos dos aluguéis, jogados nas alturas pela especulação imobiliária, chegam a comer mais de 70% do salário das famílias de trabalhadores. Não há um programa de integração cultural e comunitária nos bairros, e a maior parte dos aparelhos públicos de lazer e cultura encontra-se no centro e regiões mais ricas, impedindo o acesso da população da periferia.
Apesar de São Paulo passar há décadas por um processo de desindustrialização, a cidade ainda concentra os principais espaços de articulação da classe dominante brasileira e internacional, e é onde se encontra a segunda maior Bolsa de Valores do hemisfério sul do mundo. Mas a cidade é, também, um polo de mobilizações históricas da classe trabalhadora brasileira, como as Greves Gerais de 1917 e de 2017.

No último período é visível a retomada de lutas e revoltas nas periferias, ainda, muitas vezes de forma embrionária e desarticulada, como foi o caso de manifestações contra a violência policial e dos entregadores de aplicativo. Também verificamos movimentações no âmbito do sindicalismo classista. Ao contrário daqueles que diziam que a história chegara ao seu fim, assim como a classe trabalhadora, as revoltas e manifestações de luta por melhores condições de vida dos trabalhadores não devem ser negligenciadas.
Construindo a Frente Única dos Trabalhadores

Diante desse cenário desolador, precisamos buscar unir o conjunto da classe trabalhadora, em suas lutas e expressões políticas, sociais e culturais nas eleições e para além destas. Por isso a necessidade da construção de uma Frente Única de esquerda nessas eleições. Infelizmente, diante das dificuldades de reorganização de uma esquerda combativa pós o golpe de 2016, a construção nas eleições de uma Frente Única de esquerda, sob base de uma construção programática que represente as diversas lutas de resistência da classe trabalhadora não se efetivou na maioria das principais cidades do país. Contudo, na cidade de São Paulo, diante do apelo de massas da candidatura de Boulos e Erundina, protagonismo de movimentos populares, como o MTST, a construção de uma Frente Única se torna viável e necessária para levarmos essa candidatura à vitória nas eleições.

Essa construção que deve ser programática e ampla, requer uma maior responsabilidade dos companheiros do PSOL, no sentido de soldarem a unidade e incorporarem na campanha os mais diversos apoios de outros partidos de esquerda, movimentos populares e as mais distintas bases de lutadores sociais, o que implica a disposição de construir uma unidade realmente coletiva e, ao mesmo tempo, na reafirmação programática, para fazer frente às pressões da centro direita liberal e da extrema direita, elemento fundamental para viabilizar uma possível vitória política e até eleitoral da frente de esquerda.

Para o PCB, não basta apenas apresentarmos um projeto reativo de resistência, pois entendemos que a partir das lutas de resistência por melhores condições de vida também defendamos a possibilidade e necessidade de uma outra lógica de sociedade para além do capitalismo: o socialismo. Por isso, expressamos na independência em nossas duas candidaturas à Câmara dos Vereadores: a Bancada do Poder Popular SP e a Bancada da Juventude Trabalhadora. Nesse sentido, conclamamos todos os lutadores sociais a construírem a resistência através da Frente Única e nas candidaturas de Boulos e Erundina, e no caso para a vereança, fortalecer as candidaturas populares e revolucionárias do PCB.

Acreditamos e lutaremos para que a construção dessa Frente em torno de Boulos e Erundina, com um caráter classista, de massas e combativo, tenha a capacidade de aglutinar amplas camadas dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade de São Paulo – trabalhadores e trabalhadoras que buscam não apenas uma candidatura eleitoral a qual apoiar, mas uma que contribua para a própria mobilização popular, através da radicalidade programática e do chamado à ação de massas.

O Compromisso dos Comunistas

O Partido Comunista Brasileiro em São Paulo reafirma, assim, seu compromisso histórico com a classe trabalhadora para a construção do socialismo no Brasil. Os comunistas não medirão esforços por uma vitória eleitoral de uma Frente Única dos Trabalhadores na cidade mais populosa do continente. Essa vitória seguramente será fundamental para o robustecimento de consolidação de uma forte oposição ao Governo Bolsonaro-Mourão e aos planos reacionários da burguesia brasileira.
Não nos acomodaremos em gabinetes, afastados da classe trabalhadora. Contamos com todos trabalhadores e trabalhadoras conscientes neste desafio de gerir uma cidade em prol da maioria explorada do povo. Não se trata apenas de eleger um prefeito: trata-se de abrir caminhos para o fortalecimento da classe trabalhadora, em sua luta pelo socialismo.

PELA CONSTRUÇÃO DA FRENTE DE ESQUERDA!
PELO PODER POPULAR!
PELO SOCIALISMO!
Comissão Política Regional de São Paulo do Partido Comunista Brasileiro – PCB

Lucas Rocha
Lucas Rocha
Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.