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15 de setembro de 2019, 11h34

Pela primeira vez sob Bolsonaro, Brasil comemora o Dia Internacional da Democracia

Por coincidência, há 49 anos, em 15 de setembro de 1970, era criado o DOI-Codi, a máquina de torturar e matar do regime militar

Neste domingo, 15 de setembro, é comemorado o Dia Internacional da Democracia. Por coincidência, há 49 anos, em 15 de setembro de 1970, era criado DOI-Codi, a máquina de torturar e matar do regime militar.

Pela primeira vez em 30 anos, desde a restauração da nova democracia brasileira e a promulgação da Constituição Cidadã, ratificada em 5 de outubro de 1988, o Brasil tem um presidente que flerta com a ditadura. Jair Bolsonaro (PSL-RJ) é capitão do exército reformado e faz diversas alusões positivas à tortura e ao período militar.

Durante a votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Bolsonaro dedicou o seu voto a Brilhante Ustra, coronel do Exército Brasileiro, ex-chefe do DOI-Codi do II Exército, um dos órgãos atuantes na repressão política, durante o período da ditadura militar no Brasil. Também era conhecido pelo codinome Dr. Tibiriçá.

O Memorial da Ditadura relembra, em texto publicado neste domingo, a implantação do DOI-CODI, a máquina de torturar e matar. Leia abaixo:

DOI-CODI, a máquina de torturar e matar

Exército implanta e comanda nova estrutura de repressão política

 

Ministro do Exército indicado pelo presidente Garrastazu Médici, o general Orlando Geisel cria o Departamento de Operações de Informação do Centro de Operações de Defesa Interna, o DOI-Codi. Inspirado no modelo da Operação Bandeirante (Oban), que reunia forças civis e militares, o DOI-Codi iria centralizar e organizar toda a repressão aos adversários do regime, sob o comando de Geisel e do chefe do Estado-Maior do Exército.

O departamento se tornaria conhecido como a central de tortura e assassinato dos adversários do regime. Apenas pelo DOI-Codi do 2° Exército (São Paulo) passaram mais de 6.700 presos, dos quais pelo menos 50 foram assassinados sob custódia entre 1969 e 1975, segundo o pesquisador Pedro Estevam da Rocha Pomar. Nesse período, foram totalmente desarticuladas, por assassinatos e prisões, organizações como Ação Libertadora Nacional (ALN), Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e Ala Vermelha, entre outras.

Esse aparelho militar de repressão foi criado na esteira do sequestro do embaixador dos EUA realizado por comandos da ALN  e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Espelhando-se na estrutura das Forças Armadas, a organização cobria todo o país. Além de pessoal do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, empregava policiais civis e militares, os Dops estaduais e até soldados dos corpos de bombeiros. Em São Paulo, o órgão utilizou as instalações da Oban, no bairro do Paraíso, e, no Rio, o quartel da Polícia do Exército, na Tijuca.

 


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