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28 de setembro de 2018, 10h00

Pesquisa Locomotiva: 95% das eleitoras acham que deveria ter mais mulheres na política

De acordo com os dados apresentados pela pesquisa, existem 107 milhões de mulheres no Brasil atualmente e elas representam 52% dos eleitores. Porém, no Parlamento, elas são apenas 10%

De acordo com a pesquisa Locomotiva divulgada nesta sexta-feira (28), 95% das eleitoras acham que deveria ter mais mulheres na política. Os dados fazem parte do levantamento “Mulheres na Política”, que foi realizado na primeira semana de setembro de 2018 em 35 cidades.

A ideia da pesquisa era ver como os brasileiros enxergam as mulheres do país, desigualdades do cotidiano e a representatividade delas na política. De acordo com os dados apresentados, existem 107 milhões de mulheres no Brasil atualmente e elas representam 52% dos eleitores. Porém, no Parlamento, elas são apenas 10%.

Mais da maioria das mulheres ouvidas pela pesquisa concorda que seu voto pode fazer a diferença no país (76%) e afirma se interessar em algum grau por política (72%). Porém, 94% delas dizem que não se sentem representadas pelos políticos em exercício.

Isso se deve ao fato de 90% das mulheres não acreditarem que os políticos pensam nas necessidades da população para tomar suas decisões e de 93% delas discordarem que os políticos atuais procuram ouvir os brasileiros para tomar suas decisões.

De acordo com Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, “as mulheres estão cada vez mais chamando pra si a responsabilidade por mudar a política. Podemos perceber pelos dados que embora as mulheres façam parte do descontentamento geral dos eleitores brasileiros com relação ao mundo da política, elas se tornam cada vez mais agentes de mudança por meio do exercício da política no país.”

Mesmo com a evidente descrença das eleitoras nos representantes brasileiros, 55% delas concorda que a política é o melhor caminho para que exista menos preconceito com as mulheres.

Preconceito esse evidente nas diferenças entre homens e mulheres que aparecem na pesquisa. A renda das mulheres é sempre menor do que a dos homens. As negras são as que têm menor renda. O homem branco recebe em média R$ 3.279, a mulher branca R$ 2.436, o homem negro R$ 1.819 e a mulher negra R$ 1.427. De acordo com a pesquisa, a equiparação de salários entre sexos injetaria R$ 482 bilhões anuais na renda feminina.

Entre essas diferenças, está o tratamento que a mulher recebe no trabalho. De acordo com a pesquisa, 75% dos brasileiros afirmaram conhecer alguma mulher que já sofreu preconceito ou violência no trabalho e 43% das trabalhadoras dizem que já passou por uma situação assim. Isso significa 16 milhões de mulheres.

Essa dificuldade continua em casa: 57% dos brasileiros conhecem alguma mulher que já sofreu violência doméstica e 69% das mulheres dizem que falta tempo no seu dia para fazer alguma coisa por conta do acúmulo de tarefas.

A pesquisa também fez um levantamento de horas médias gastas com afazeres domésticos e/ou cuidado com pessoas por mês. Os homens gastam 47 horas e as mulheres, 92. Isso significa que, se elas ganhassem pelo trabalho doméstico, receberiam mais R$ 1,1 trilhão por ano.

Mas ainda existe um longo caminho a percorrer. Um terço dos homens (26 milhões) acha que é justo mulheres assumirem menos cargos de chefia, já que podem engravidar e sair de licença maternidade.

Ao mesmo tempo em que os homens dizem isso, existem 14,6 milhões de mães solo atualmente no Brasil e 74% das crianças de até quatro anos não estão matriculadas em creches ou escolas de educação infantil.

Sendo assim, em 20 anos, o percentual de mulheres chefe de família dobrou no Brasil. 92% que trabalham consideram sua carreira profissional importante ou muito importante e 89% concordam que toda mulher deve ser independente financeiramente.

Para a pesquisa foram ouvidas pessoas com mais de 16 anos. Ao todo foram feitas 2.015 entrevistas. O nível da confiança dos números apresentados é de 95%.


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