terça-feira, 27 out 2020
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PF aproveita operação na casa de advogado de Lula e “retoma” grampos ilegais de Moro

A defesa guardava uma cópia de arquivos obtidos ilegalmente pelo ex-juiz - apagados em 2018 após decisão judicial

Entre os documentos apreendidos na casa do advogado Cristiano Zanin Martins em operação realizada nesta quarta-feira (9) pela Polícia Federal, está um HD que continha cópias dos grampos telefônicos feitos pela Lava-Jato de Curitiba contra Lula e o escritório. A Justiça Federal teve que apagá-los em 2018.

Segundo informações da colunista Bela Megale, do O Globo, o material continha os 23 dias de interceptações feitas pela operação e estava em cópia única em HD apreendido nesta quarta. Esses grampos foram determinados pelo ex-juiz Sérgio Moro.

O perfil do ex-presidente Lula no Twitter comentou sobre esse “detalhe”. “Das ‘coincidências’ da vida: a operação contra Cristiano Zanin Martins apreendeu hoje nada mais, nada menos, que os áudios dos grampos ilegais do ex-juiz Moro contra os advogados de Lula, uma das provas dos abusos da Lava Jato contra o ex-presidente”, tuitou.

Os áudios foram deletados pela Lava Jato em 2018, após o TRF-4 atender os advogados do ex-presidente. A defesa pediu uma cópia do material antes da exclusão – e foi atendida. Zanin guardava os registros em sua casa.

Entre os grampos guardados no arquivo está o que foi vazado no dia em que o ex-presidente Lula seria nomeado como Ministro da Casa Civil no governo da ex-presidenta Dilma Rousseff. O vazamento foi acordado entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol para ocorrer naquele dia, como mostrou reportagem da Vaza Jato, do The Intercept Brasil.

Críticas à operação

Em nota, Zanin acusou o juiz Marcelo Bretas, que autorizou a ação da Polícia Federal, de agir a mando de Jair Bolsonaro, em “clara tentativa de intimidação do Estado brasileiro pelo meu trabalho”. “O juiz Marcelo Bretas é notoriamente vinculado ao presidente Jair Bolsonaro e sua decisão no caso concreto está vinculada ao trabalho desenvolvido em favor de um delator assistido por advogados ligados ao Senador Flavio Bolsonaro. A situação fala por si só”, declarou. Ele ainda apontou que o ato ocorreu um dia após fim do prazo para a Lava Jato explicar cooperação com EUA.

A Ordem dos Advogados do Brasil disse, em nota, que vai tomar medidas administrativas e judiciais contra a operação, que considera uma tentativa de “criminalização da advocacia”.

Lucas Rocha
Lucas Rocha
Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.