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01 de outubro de 2019, 10h36

PF de Moro vaza conversa de Manuela com hacker para o Estadão

O site do Estadão, que foi porta-voz da Lava Jato durante toda a operação, vazou conversa de Manuela com Walter Delgatti para tentar intimidar Glenn Greenwald e a ex-deputada

Foto: Divulgação/@manueladavila

A Polícia Federal do ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro, divulgou seletivamente ao jornal Estadão um inquérito sigiloso sobre as conversas entre a ex-deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) e Walter Delgatti, hacker que teve acesso às mensagens de Telegram de procuradores e demais autoridades da Lava Jato.

A matéria “Nove dias de diálogo entre Manoela e o hacker ‘Vermelho’”, publicada nesta terça-feira (1), revela conversas superficiais e de pouca relevância no âmbito da Vaza Jato. Entre comentários sobre a grafia do nome da ex-deputada e menções ao aplicativo de relacionamento Tinder, a reportagem do Estadão assume clara tentativa de incriminar o contato entre os dois.

A reportagem cita que os diálogos estão anexados ao inquérito da Operação Spoofing, com 38 prints de conversas. “A organização das mensagens foi feita pela própria defesa de Manuela e mostram que o diálogo entre os dois continuou mesmo depois que as mensagens roubadas de procuradores da Lava Jato”, diz a matéria.

Um dos destaques da reportagem aos diálogos vazados está em uma fala de Delgatti, que demonstra desejo de expor o teor das conversas interceptadas para “fazer justiça”. “Quero Justiça, não quero dinheiro. Desculpa eu entrar no seu Telegram, foi um mal necessário”, afirmou, acrescentando o fato de ter, segundo ele, “oito Teras (bytes) de coisa errada”.

Em outra parte das conversas, Manuela disse que Glenn era a “melhor pessoa” para ter repassado o conteúdo hackeado. Delgatti, por sua vez, disse que não havia pensado no nome do jornalista antes, mas depois reconheceu ter sido esta a “melhor saída”.

Manuela também se mostrou preocupada com o fato de o celular do então deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) ter recebido uma ligação, do seu Telegram, sem que ela de fato tivesse efetuado tal chamada. “Oi, você ligou para o Jean do meu Telegram?”, questionou Manuela. Walter, imediatamente, respondeu: “Liguei no dia hahahaha. Para tentar falar com ele. Aí quando falei com você. Eu saí e não liguei mais”, diz ele, sugerindo: “Diz que foi um equívoco”.

Repercussão

O diretor do The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, respondeu à matéria do Estadão e lembrou que “Manuela entregou voluntariamente o telefone dela à PF e ofereceu ir ao Congresso, enquanto Deltan recusou. Flávio tenta parar investigações em suas finanças, enquanto David Miranda deu voluntariamente tudo ao tribunal: A diferença entre quem tem coisas a esconder e quem não”.

O editor do The Intercept, Leandro Demori, também respondeu à reportagem. “Sem pedir uma única vez sequer o outro lado do Intercept. É assim o padrão aí no seu jornal, Estadão?”, escreveu.


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