Pizzolato: “novo laudo comprova que fui condenado por crime que não cometi”

Segundo ex-diretor de Marketing da Banco do Brasil, Joaquim Barbosa ignorou provas e o “mensalão” foi o grande ensaio da Lava Jato

“O mentirão – ou mensalão – é a gênese de todo esse processo que terminou na Lava Jato”, assim o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato define o julgamento da Ação Penal 470. Em 2013, ele foi considerado culpado pelos crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo então relator da ação no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro Joaquim Barbosa. Pizzolato, no entanto, diz que assim como ignoraram o laudo 2828 de 2006, agora mais um laudo pericial, finalizado em dezembro de 2020, comprova sua inocência.

De acordo com Pizzolato, no laudo 2828 o nome dele sequer aparece entre os responsáveis por fazer os gerenciamentos do Fundo Visanet. Assinado por três peritos do Instituto Nacional de Criminalística e solicitado pelo então procurador-geral Antonio Fernando de Souza, o documento mostrava a “quem competia fazer o gerenciamento dos recursos do Fundo Visanet” destinados à DNA, agência de Marcos Valério. Também não é mencionado o ex-ministro Luiz Gushiken, que foi julgado e acabou absolvido. A acusação aponta para quatro diretores e quatro gerentes do Banco do Brasil. Nenhum deles arrolado na Ação Penal 470.

Em entrevista ao programa Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (22), Pizzolato explica que a “grande fake news do judiciário brasileiro foi montada em cima de alguns pilares: o primeiro de que os recursos da Visanet eram do Banco do Brasil; depois que esses recursos vinham sendo desviados (R$ 73 milhões), para que fosse realizado o mensalão, ou seja, fossem comprados deputados. O terceiro era de que eu era a pessoa responsável por administrar esses recursos”, conta.

“O Banco do Brasil durante todo o processo do mensalão e depois de todas as investigações sempre disse que esse dinheiro não era dele. A Visanet é uma empresa privada. O BB apenas tem cartões Ourocard vinculados à Visanet. Mas na época, Joaquim Barbosa disse não, o dinheiro é do BB.”

Com a decisão de Barbosa, o Banco do Brasil, por sua vez, segundo Pizzolato, solicitou o resgate dos recursos que seriam da instituição e pediu para fazer uma perícia para ver quanto seria esse valor. “O perito foi nomeado pela 20ª Vara de Brasília e, depois de mais de um ano revirando toda a documentação, em dezembro do ano passado provou o que sempre disse: concluiu que o dinheiro não era do BB, era da Visanet. Que a Visanet fez auditoria e tudo foi gasto regularmente. Somou todas as notas, de mais de 13 mil fornecedores e encontrou as comprovações das entregas e de tudo que foi pago. O maior recebedor, inclusive, é a Globo. Joaquim Barbosa chegou a dizer que eram notas frias. O Pizzolato não tinha nada que ver com o dinheiro. Os responsáveis eram a área de cartão de crédito. Fui condenado por um crime que não cometi.”

Com esse novo laudo vindo à tona, o ex-diretor do BB teme que ocorra o mesmo com o laudo 2828, e que mais uma vez essa prova seja escondida. “Quero a verdade, vou até a minha última gota de saúde lutar para que o Brasil saiba a verdade”, diz. “Quero que se restabeleça a verdade. Minha família foi destruída, vivi toda a barbárie possível, sofri nessas prisões e testemunhei o que há de mais primitivo e animal.”

“Ódio no Brasil começou com Joaquim Barbosa”

Considerado herói antes do ex-juiz Sergio Moro, Joaquim Barbosa, na opinião de Pizzolato, inaugurou no país a adoção da mentira, como um processo, em que “se repete algo muitas vezes à moda de Goebbels e ela se torna verdade”. “A mentira com o apoio da mídia corporativa passa a ser o fato. Foi o grande ensaio para a Lava Jato. Eu não tinha nada a ver e virei culpado. Não adianta apresentar documentos. O mensalão gerou a cultura de que se fabrica fatos, a mídia repercute e a justiça condena.”

Ex-sindicalista, funcionário de carreira do Banco do Brasil e militante do Partido dos Trabalhadores, Pizzolato tem nacionalidade italiana e conta que decidiu ir para a Itália por não aceitar toda a mentira que estava vivendo. “Ou eu me entregava e engolia isso como se a injustiça e a mentira fossem uma coisa normal e aceita na sociedade, ou resistia até a última gota. Não posso ser cúmplice dessa mentira, além dos danos para mim e toda a minha família, era um dano para a sociedade, ao país e às instituições. Mas a verdade um dia vence.”

Assista à entrevista (a partir do minuto 56)

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Dri Delorenzo

Jornalista, especializada em Meio Ambiente e Sociedade (FESPSP) e mestre em Comunicação Digital pela UFABC. É editora executiva da Revista Fórum.

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