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21 de julho de 2019, 15h28

Por que Jair Bolsonaro não tuíta mais sobre corrupção?

A corrupção, uma das principais bandeiras da campanha presidencial de Jair Bolsonaro, perdeu espaço em suas redes sociais. Segundo levantamento, desde a eleição, o tema apareceu em apenas 1,4% de suas postagens

Reprodução

No projeto coordenado pelo professor Francisco Brandão pelo Laboratório de Governo Eletrônico da Universidade de Brasília (UnB), analisou-se que, de um total de 1.378 publicações, Jair Bolsonaro fez 68 tuítes sobre corrupção entre julho e dezembro de 2018. Nos primeiros seis meses de governo, o número sobre o tema caiu para apenas 20 dentre 1.388, cerca de 1,4% do total de postagens.

Procurado pelo jornal o Estado de S. Paulo, o Palácio do Planalto admitiu que a corrupção perdeu espaço nas redes do presidente, mas isso se devia à própria função do cargo, que deve ter uma abrangência maior de assuntos. “Não houve, entretanto, a exclusão de temas relevantes para o País”, afirmou o Planalto em nota.

Essa também é a visão do próprio pesquisador: “Ele tem falado menos sobre corrupção e dado preferência a temas que causam mais atenção na sociedade ou que polarizem. Como presidente, é preciso falar de mais assuntos. Percebe-se uma troca da pauta da corrupção pela pauta da segurança, além da economia”, disse o professor Francisco Brandão, cuja pesquisa aponta que após a posse, a timeline presidencial se voltou para economia, educação e religião.

No entanto, chega a ser estranho o posicionamento do agora presidente sobre questões que envolve o combate à corrupção, como por exemplo, a decisão do presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, que paralisou investigações em todo o País sobre processos em andamento que utilizem dados financeiros e bancários compartilhados sem autorização judicial. Tal decisão tem como base um pedido feito pela defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), investigado por conta do caso Queiroz.

A decisão foi criticada pelos procuradores que integram a Lava Jato. Em nota conjunta, as forças-tarefa de Rio, São Paulo e Curitiba relataram “grande preocupação” com a decisão, pois ameaça as investigações.

Em maio de 2017, Jair Bolsonaro foi às redes sociais postar um vídeo em que dizia que as decisões dos ministros do STF que proibissem a prisão de condenados em segunda instância seria um risco à Lava Jato.

Sobre a decisão do Dias Toffoli, no entanto, Bolsonaro preferiu apoiar a decisão.

O Delegado Waldir (PSL-GO), líder do PSL na Câmara e aliado de Bolsonaro, talvez tenha tenha feito o melhor resumo sobre a contradição do atual presidente: “É porque dói no calo dele. Ele está entre o amor e o direito”.

* Com informações O Estado de S. Paulo


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