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03 de outubro de 2018, 13h08

Luiz Eduardo Soares: Por que me mantenho otimista

A despeito de tantas arbitrariedades politicamente orientadas, me mantenho sereno e confiante na vitória de Haddad no segundo turno. Por que? Porque interpreto como natural e limitado o fortalecimento de Bolsonaro

Luiz Eduardo Soares. Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Por Luiz Eduardo Soares*, no seu Facebook

Amig@s, estou observando os primeiros dois dias dessa semana decisiva com preocupação, indignação e serenidade. Preocupação pelo aparente crescimento da candidatura da ultra-direita neofascista. Indignação pelo comportamento inclassificável de Moro que busca interferir no processo eleitoral, mais uma vez, decidindo suspender o sigilo da delação de Palocci justamente na semana que antecede o primeiro turno. Que coincidência, hein?

Indignação ainda com Toffoli que se nega a reconhecer que em 64 houve um golpe de Estado, preferindo chamá-lo “movimento”. O presidente do Supremo cancela, acintosamente, a história. Indignação com ele e Fuxs por proibirem que a imprensa entreviste Lula, apesar de serem comuns entrevistas com presos homicidas, de Fernandinho Beira-Mar ao goleiro Bruno.

A despeito de tantas arbitrariedades politicamente orientadas, me mantenho sereno e confiante na vitória de Haddad, no segundo turno. Por que? Porque interpreto como natural e limitado o fortalecimento de Bolsonaro. A belíssima e comovente mobilização #EleNão, liderada pelas mulheres, que foi muito importante e positiva, trouxe consigo um efeito indireto: antecipou o segundo turno, mas o fez de forma a projetar sua lógica apenas para os eleitores de uma candidatura, aquela representada pelo pronome pessoal repudiado.

O campo gravitacional da direita passou a ser regido por força centrípeta. As demais candidaturas, as democráticas, permaneceram convivendo entre si, e disputando, preservando sua pluralidade. Tinham e têm em comum sobretudo a intenção de melhor representar o #EleNão.

Quem vota em Bolsonaro ou considera a hipótese de fazê-lo viu-se incitado a confirmar ou antecipar sua adesão, uma vez que a eleição tornou-se plebiscitária: Ele Sim X Ele Não. O lado anti-fascista continuou regido por força centrífuga, buscando afirmar suas respectivas identidades, competitivamente, no espectro variado dos “50 tons de democracia”.

Assim, é perfeitamente natural que um lado cresça, enquanto o outro, plural, se mantenha em equilíbrio tenso. O segundo turno virá e a tendência é que as forças anti-fascistas passem a reger-se por lógica centrípeta, revigorando-se. Como em todo segundo turno vence quem tem maior capacidade de ampliar suas alianças, e como tudo indica que só haverá um candidato extremista (o representante da direita -uma vez que colar em Haddad o estigma de sectário beira o ridículo), deduzo que as melhores chances ainda estão no campo democrático.

* Luiz Eduardo Bento de Mello Soares é um antropólogo, cientista político e escritor brasileiro. Considerado como um dos mais importantes especialistas em segurança pública do Brasil.


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