Veja o “PowerPoint” sobre a Covaxin que os irmãos Miranda levaram à CPI do Genocídio

Apresentação, que contém documentos, e-mails e conversas de WhatsApp detalhando a denúncia de corrupção na compra da Covaxin, começa com trecho bíblico que Bolsonaro gosta de citar: "Conhecerei a verdade e a verdade vos libertará"; confira a íntegra

O servidor do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, e seu irmão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), levaram para a CPI do Genocídio no Senado, nesta sexta-feira (25), uma apresentação de “PowerPoint” em que detalham a denúncia que fizeram sobre suposto esquema de corrupção no contrato firmado pelo governo federal para a compra da Covaxin, vacina indiana contra a Covid-19.

Os indícios de corrupção são inúmeros e o contrato de R$1,6 bilhão com a Precisa Medicamentos, intermediária do laboratório indiano Bharat Biotech para a venda do imunizante ao Brasil, é alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF).

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Isso porque Jair Bolsonaro, no início do ano, aprovou a compra do imunizante a um preço 1.000% maior que o inicialmente anunciado pelo fabricante. Um telegrama da embaixada brasileira em Nova Délhi mostra que, quando lançada, a vacina produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech custava 100 rúpias ou cerca de 1,34 dólares a dose. Em fevereiro desse ano, sob pressão de Bolsonaro, a Precisa Medicamentos fechou a compra para o Ministério da Saúde pelo valor de 15 dólares a unidade. Ao mesmo tempo, o governo federal rejeitou a compra da vacina da Pfizer a 10 dólares alegando preço muito alto.

Os irmãos Miranda, ao constatarem as supostas irregularidades, levaram o caso ao presidente Jair Bolsonaro, que nada fez para apurar as denúncias de corrupção. O servidor do Ministério da Saúde, inclusive, relatou ao MPF “pressão atípica” de superiores para a importação das doses da vacina indiana.

Na apresentação levada à CPI do Genocídio, os irmãos Miranda já começam com um slide contendo a frase bíblica que o presidente Jair Bolsonaro gosta de usar: “Conheceis a verdade e a verdade vos libertará”. O deputado, inclusive, era um aliado do presidente e, após fazer a denúncia, passou, segundo ele, a ser alvo de coação do governo – ele chegou ao Senado vestindo um colete à prova de balas.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onix Lorenzoni, afirmou após as denúncias virem à tona que Bolsonaro havia determinado que abrisse investigações contra os irmãos. “Sempre te defendi e é essa a recompensa?”, disse o parlamentar do DEM nesta quinta-feira (24).

Ao longo do “PowerPoint” apresentado aos senadores, os irmãos expuseram e-mails e documentos oficiais com as negociações para a compra da vacina indiana, conversas de WhatsApp com alertas a membros do governo sobre os indícios de irregularidades e inúmeros outros detalhes que comprovariam suas denúncias.

Confira, abaixo, a íntegra.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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