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28 de março de 2019, 16h04

Presidente do Clube Naval defende atos pró-golpe de 64 e diz que tortura é “técnica de interrogatório”

Vice-almirante Rui da Fonseca Elia chamou a Comissão Nacional da Verdade, que investigou crimes da ditadura, de “Comissão Nacional da Mentira”

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Durante almoço da cúpula das Forças Armadas, nesta quinta-feira (28), o comandante do Clube Naval, vice-almirante Rui da Fonseca Elia, declarou que os militares fizeram o certo durante a ditadura, “no sentido de evitar o mal maior”. “Pode ter havido tortura aqui ou ali, mas ela pode ser entendida como técnica de interrogatório um pouco mais severo”, disse Elia, de acordo com informações de Anna Virginia Balloussier, da Folha de S.Paulo.

Segundo versão oficial do Estado, que absorve dados do relatório da Comissão Nacional da Verdade, de 2014, a ditadura matou ou desapareceu com 434 acusados de dissidência política e mais de 8 mil indígenas.

“Chamo de Comissão Nacional da Mentira”, prosseguiu o vice-almirante, que critica a formação do grupo escolhido para investigar crimes da ditadura, todos, ao seu ver, “mancomunados com o outro lado”.

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O almoço entre militares apresentou outras bizarrices. “Vamos voltar a fita um pouquinho: nós não estamos aqui para fazer um julgamento dos 21 anos do governo militar. Estamos aqui para fazer um comentário desse ‘mimimi’ que está acontecendo porque o presidente Jair Bolsonaro autorizou o ministro da Defesa a deixar que os militares comemorassem a revolução de 1964”, disse o brigadeiro Marco Antonio Carballo Perez, comandante do Clube da Aeronáutica, se referindo ao golpe que instaurou longo período de ditadura e tortura no Brasil.

O general Eduardo José Barbosa, presidente do Clube Militar, por sua vez, afirmou: “Claro que ninguém quer se regozijar por mortes que, sim, aconteceram naquele período. Mas não se pode usar exceções do regime como régua. Aliás, tem que agradecer aqueles que tomaram a decisão em 1964”.

Comunismo

Ele afirma que o Brasil só vive numa democracia hoje graças à ditadura. “A alternativa era correr o risco de ser engolido pelo comunismo que se via em Cuba, na Rússia, na China. De 1985 pra cá tudo piorou”.

O general Eduardo vai mais além e pergunta por que a ex-presidenta Dilma Rousseff não foi presa, se a Comissão da Verdade realmente estava interessada em punir os dois lados. Elia ainda questiona se Dilma foi mesmo torturada.

Dilma foi vítima de tortura sendo submetida a pau de arara, choques elétricos, espancamento e palmatória.

O general ainda fez pouco caso do Ministério Público Federal, que divulgou nota em “repúdio social e político” a comemorações do golpe militar.

“Se a gente fosse levar ao pé da letra o que o MPF recomendou, o MPF devia proibir estudo de história nas escolas. Quando a gente estuda qualquer tipo de conflito qualquer tipo de guerra a gente está falando de matanças de coisa ruim de morte”, disse.

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