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28 de agosto de 2019, 22h11

Pressionado, Moro gagueja ao comentar declaração de Bolsonaro sobre a Polícia Federal

Em entrevista, o ex-juiz federal ainda deu a entender que Bolsonaro foi sua opção nas eleições, colocando em xeque sua atuação na condenação de Lula, que era primeiro lugar nas pesquisas até ser impedido de concorrer

Sergio Moro (Foto: Lula Marques)

Em entrevista ao programa “Em Foco”, da GloboNews, veiculada na noite desta quarta-feira (28), o ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmou que o diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, vai continuar no cargo, mas se complicou ao comentar as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre o caso. A postura de abaixar a cabeça tem sido alvo de críticas até mesmo de membros influentes da PF.

“Ele permanece no cargo”, declarou o ministro à jornalista Andreia Sadi. “As coisas eventualmente podem mudar, mas ele está no cargo, permanece no cargo, tem a minha confiança”, completou.

No entanto, a convicção de Moro em garantir a permanência do diretor não foi a mesma na hora de comentar sobre as declarações de Jair Bolsonaro que têm gerado fortes tensões na PF. “Não cabe ficar comentando afirmações do presidente, acho que também seria impróprio dessa parte”, disse, receoso, o ministro da Justiça.

Moro tem sido cobrado até mesmo por delegados da elite da PF por um posicionamento mais firme em defesa da autonomia do órgão mas, mais uma vez, se esquivou.

Valeixo ameaçou deixar o comando do órgão em caso de interferência de Bolsonaro na instituição. O presidente pretende nomear por conta própria o superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro e afirmou que o faria porque é o “comandante da PF”. A declaração repercutiu muito mal internamente.

“Fácil” de escolher

Sérgio Moro ainda comentou sobre as eleições de 2018 e deu a entender que votou mesmo em Jair Bolsonaro. “Foi fácil a população identificar quem tinha o discurso mais firme, que foi o Presidente Jair Bolsonaro”, declarou o ex-juiz federal, que ainda avaliou que os outros candidatos não tiveram a “mesma firmeza” que Bolsonaro e foram dúbios quanto a isso.

O ex-juiz federal é considerado uma importante peça para a eleição do ex-capitão do Exército, por ter tirado o ex-presidente Lula da disputa devido a uma condenação frágil ditada por ele na Lava Jato.


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