Entrevista exclusiva com Lula
12 de abril de 2019, 06h19

Procurador da Lava Jato aposentado aos 55 anos, Santos Lima é contratado pela Star Palestras

Agora, Santos Lima figura no rol de palestrantes de empresas entre nomes como a atriz Bruna Lombardi, o jornalista Alexandre Garcia e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB)

O ex-procurador da Lava Jato, Santos Lima (Arquivo)

O ex-procurador da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, que se aposentou recentemente, aos 55 anos de idade, é o novo contratado da empresa Star Palestras. A informação é da coluna de Mônica Bergamo, na edição desta sexta-feira (12) da Folha de S.Paulo.

Agora, Santos Lima figura no rol de palestrantes de empresas entre nomes como a atriz Bruna Lombardi, o jornalista Alexandre Garcia e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

O site da empresa diz que Santos Lima ministra palestras e treinamentos em compliance, investigações internas, acordos de colaboração e leniência, lavagem de dinheiro e combate à corrupção.

Desconstruir a imagem de Lula
Ao se aposentar, há menos de um mês, o procurador deu a última entrevista ainda no cargo aos jornalistas Ricardo Brandt e Fausto Macedo, do jornal O Estado de S.Paulo, e confessou que a condução coercitiva contra o ex-presidente Lula visava “desconstruir a imagem” do petista.

“Era necessário desconstruir a imagem que existiam pessoas fora do alcance da Justiça. Aquele momento a condução teve a virtude de mostrar que a Justiça alcançava qualquer um. Não é bem assim, porque na verdade há uma série de intocáveis na República, mas de qualquer forma depois que o Lula foi preso (em abril de 2018, após condenação em segundo grau), ninguém está mais garantido”, disse ressaltando que dependendo do lugar onde fosse realizada a ação, “politicamente ia ser um problema”.

Palestrando sobre “compliance” (uma espécie de desenvolvimento de políticas éticas nas empresas), Santos Lima ainda afirmou que foi dos procuradores da Lava Jato a ideia de divulgar os áudios da conversa de Lula com a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), que tinha intenção de colocar o ex-presidente na Casa Civil. “Fomos nós que pedimos, não foi o (ex-juiz Sérgio) Moro que tirou da cartola. Não vejo problemas nas gravações, era evidente que estava sendo articulado ali”, disse, ao ser indgado sobre o que achava da “divulgação dos áudios”.


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