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10 de julho de 2020, 14h52

“Profissão de risco”, diz artista gráfico que teve charge exposta por Bolsonaro em live

Após ação do Facebook contra aliados, presidente pediu derrubada de páginas de artistas e disse que charges “incitam ódio"

Jair Bolsonaro/Reprodução

Com a derrubada de parte da rede de fake news bolsonarista no Facebook, o presidente Jair Bolsonaro dedicou parte de sua live nesta quinta-feira (9) para atacar artistas que produzem charges contra ele. Presidente reclamou que profissionais não sofrem censura por atacá-lo.

“No Brasil sobrou para quem está do meu lado e parece que a esquerda fica posando de moralista”, desabafou. Em seguida, Bolsonaro expôs nomes e charges de artistas, dizendo que os mesmos “incitam ódio”.

“Maneiras de assassinar Bolsonaro com competência, do Vitor Teixeira. Ninguém fala em derrubar essa página aqui”, afirmou. O artista em questão, no entanto, não usou a imagem do presidente na charge ou citou seu nome, conforme relatado em entrevista à Fórum.

Vitor conta ainda que, ao contrário do que o presidente prega na live, muitas de suas charges já foram censuradas, assim como de outros artistas que conhece. A prática, segundo ele, piorou após a eleição de Bolsonaro.

“Já tive muitas charges censuradas, mas a coisa ficou muito mais evidente e frequente desde que Bolsonaro ganhou a eleição. Tive meu Instagram derrubado, porque o Carlos Bolsonaro usou esses bandos digitais para derrubar a página, usou os perfis dele para denunciar. O Véio da Havan também já me processou, na esfera cível e criminal. Antes do Bolsonaro virar presidente nada disso acontecia”, conta.

“Nas redes sociais, é toda hora que cai desenho. Aquele desenho eu publiquei já faz uns meses. Nele, sem dar nome aos bois, eu explico na charge como você esfaqueia uma pessoa de forma eficiente. Mas não tem o rosto do Bolsonaro ou seu nome. O cenário para humor gráfico no Brasil é uma profissão de risco, acho que para a imprensa em uma maneira geral”, continuou.

Na live, Bolsonaro disse ainda nunca promoveu ódio. “Dizer que nós estamos produzindo material de ódio? O que é ódio? O que é material de ódio? Me apresente um texto no Instagram, Facebook, WhatsApp batendo no Legislativo, no Judiciário, o que for, não existe isso. É lamentável. Nós não podemos perder essa liberdade aí de imprensa, isso me elegeu presidente da República”, declarou.


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