Promotoras deixaram caso Marielle por discordarem de delação de viúva de Adriano da Nóbrega

Viúva de Adriano, Julia Lotufo estaria disposta a revelar informações sobre homicídios, contravenção e também sobre o caso Marielle e Anderson. Mas, promotoras consideraram informações superficiais e sem provas

A discordância sobre a forma como estavam sendo conduzidas as negociações para a delação da viúva do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega foi um dos fatores que motivaram o pedido de afastamento feito pelas promotoras Simone Sibílio e Leticia Emile das investigações sobre o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Além disso, as promotoras deixaram o caso após o vazamento de informações sigilosas feitas por um delegado que está preso.

Viúva de Adriano, Julia Lotufo estaria disposta a revelar informações sobre homicídios, contravenção e também sobre o caso Marielle e Anderson.

Cumprindo prisão domiciliar, Júlia já foi ouvida por três delegados da Polícia Civil que integram a Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (Ciaf), do MP.

No entanto, as duas promotoras não participaram, pelo menos, dos dois primeiros encontros, apesar de estarem designadas para o caso Marielle. Finalmente, ao ouvir o relato de Júlia, as promotoras consideraram as informações sobre Marielle superficiais e sem provas.

Como não havia fatos relevantes, elas decidiram não aceitar a delação premiada. Mesmo assim, a proposta de delação continua sendo analisada por promotores de outra área do MP, causando desconforto.

Delegado
Além da delação, as promotoras teriam deixado a investigação após o delegado Maurício Demétrio Afonso Alves, preso no fim de junho acusado de comandar uma quadrilha que cobrava propina de comerciantes em Petrópolis, vazar informações sigilosas sobre o inquérito.

Segundo reportagem de Mahomed Saigg e Bette Lucchese, da afiliada da TV Globo no Rio, as promotoras tiveram como último ato denunciar o delegado por violação de sigilo da investigação.

Os dados, que fazem parte do processo, estavam no e-mail de um ex-policial civil que teve o sigilo telemático quebrado durante as investigações. O ex-policial seria ligado à contravenção e também investigado pelas mortes da vereadora e do motorista.

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Demétrio argumentava que o ex-policial era um desafeto dele, que o estaria monitorando e colocando sua vida em risco.

As promotoras acreditam que o delegado montou a estratégia para demontrar força diante de rivais dentro da corporação.

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Diante das informações passadas no e-mail, o delegado protocolou petições no Ministério Público Eleitoral e Federal e expôs as informações sigilosas do inquérito sobre o assassinato da vereadora – o que motivou a denúncia por violação de sigilo.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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