PSL, partido de Eduardo Bolsonaro, Joice e Zambelli, firma relações com o Partido Comunista Chinês

Encontro virtual do presidente da sigla, Luciano Bivar, com representante do PCCH, acontece em meio à crise diplomática entre Brasil e China fomentada pelas declarações de Bolsonaro sobre o país asiático

O PSL, partido que até 2018 podia ser considerado “nanico” e ganhou impulso no Congresso Nacional e em casas legislativas Brasil afora ao acomodar Jair Bolsonaro e o eleger presidente da República, está articulando uma aproximação com o Partido Comunista Chinês (PCCH).

Nesta quinta-feira (13), o presidente nacional da legenda, deputado Luciano Bivar (PE), participou de uma reunião virtual com a vice-ministra chinesa Shen Belli, representante do partido do governo da China. No encontro, foi firmado um acordo de intercâmbio entre jovens do PSL e do Partido Comunista da nação asiática e Bivar ainda foi convidado para a comemoração do aniversário de 100 anos da agremiação de esquerda, em junho.

Apesar da saída de Bolsonaro do PSL, em 2019, a legenda ainda acomoda bolsonaristas, como as deputadas Bia Kicis (PSL-DF), Carla Zambelli (PSL-SP), além do filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e ex-bolsonaristas, como a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP). Todos esses parlamentares sustentam um discurso carregado de teor anticomunista.

Bivar, presidente da sigla, no entanto, não vê problemas em dialogar com o partido de esquerda. “Foi uma reunião extremamente exitosa e, para a nossa felicidade, foi a demonstração de que a China considera o PSL com um papel importante no Brasil. Eles têm interesse em manter contatos regulares com intercâmbio de jovens pesselistas. Estamos no caminho de nos tornamos o maior partido do país”, afirmou.

O encontro virtual de Bivar com a representante chinesa acontece em meio à crise diplomática entre Brasil e China, motivada principalmente por declarações pejorativas de Jair Bolsonaro e bolsonaristas sobre o país asiático. Recentemente, o presidente chegou a sugerir que a China criou o coronavírus em laboratório e que estaria encampando uma “guerra química”, declaração que foi repudiada por representante do governo chinês.

Essa postura hostil do governo brasileiro com a China estaria por trás do motivo, inclusive, pelo qual o país estaria “segurando” o envio de insumos ao Brasil para a produção de vacinas contra a Covid-19.

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.