PSOL aciona PGR para investigar suposto comando de Bolsonaro no esquema das rachadinhas

Partido também quer reunir assinaturas para abrir uma CPI com o intuito de apurar o esquema de corrupção nos gabinetes de Bolsonaro e seus filhos

A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados protocolou junto à procuradoria-geral da República, nesta segunda-feira (5), uma representação para que o órgão investigue as novas denúncias que dão conta do envolvimento direto do presidente Jair Bolsonaro no esquema de corrupção conhecido como “rachadinhas”.

Em uma série de reportagens publicada nesta segunda-feira (5) pelo portal UOL, a jornalista Juliana Dal Piva revela um áudio em que a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente, confirma que Jair comandava o esquema de corrupção em que funcionários fantasmas dos gabinetes dele e dos filhos – Flávio e Carlos – devolviam até 90% dos valores recebidos em salários para o clã.

“As gravações implicam o presidente Jair Bolsonaro diretamente no esquema de corrupção das rachadinhas. Bolsonaro, e toda a sua família, está envolvido em uma miríade de crimes. É indisfarçável a participação do Presidente da República nos atos ilícitos, de forma que é fundamental que os poderes constituídos tomem as providencias cabíveis para investigar os responsáveis e não assistam inertes os permanentes e reiterados crimes contra a administração pública”, diz um trecho da representação.

“O ladrão, corrupto e genocida não pode sair impune. É um criminoso que deve responder pelas mais de 500 mi vidas perdidas no Brasil!”, afirmou a deputada federal Vivi Reis (PSOL-PA).

“O discurso contra corrupção sempre foi fachada pra encobrir os próprios esquemas e relações perigosíssimas. Só não via que as articulações de Flávio eram comandadas por Jair quem não queria ver. Agora, aparece o áudio da ex-cunhada. O falso moralismo não se sustenta mais uma vez”, disse, por sua vez, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ).

Além da representação protocolada na PGR, o PSOL anunciou ainda que vai reforçar a coleta de assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que terá como intuito apurar o esquema de corrupção que envolve Bolsonaro e seus filhos. O pedido para a abertura da CPI já havia sido protocolado em março deste ano.

CPI no Senado

O líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE), anunciou nesta segunda-feira (5) que vai protocolar um pedido para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o esquema de corrupção conhecido como “rachadinhas” que teria sido praticado no gabinete do presidente Jair Bolsonaro quando era deputado federal e de seus filhos.

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“Ninguém está acima da lei. Os fatos narrados são graves e exigem apuração imediata. Apresento hoje o pedido de CPI da Rachadinha. Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (João 8:32)”, disse o senador, fazendo referência ao trecho bíblico recorrentemente citado pelo titular do Palácio do Planalto.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI do Genocídio, que apura erros e omissões do governo Bolsonaro no combate à pandemia, já manifestou seu apoio, o de seu partido e também o da oposição no Senado à proposta de Vieira.

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A denúncia

Em uma série de reportagens publicada nesta segunda-feira (5) pelo portal UOL, a jornalista Juliana Dal Piva revela um áudio em que a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente, confirma que Jair comandava o esquema de corrupção em que funcionários fantasmas dos gabinetes dele e dos filhos – Flávio e Carlos – devolviam até 90% dos valores recebidos em salários para o clã.

No áudio, Andréa revela que o irmão, André Siqueira Valle, foi exonerado do gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados em 2007 por não devolver “o dinheiro certo que tinha que ser devolvido”, de cerca de 90% do salário. Andréa e André são irmãos de Ana Cristina Valle, segunda esposa de Jair e mãe de Jair Renan Bolsonaro.

“O André deu muito problema porque ele nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver R$ 6.000, ele devolvia R$ 2.000, R$ 3.000. Foi um tempão assim até que o Jair pegou e falou: ‘Chega. Pode tirar ele porque ele nunca me devolve o dinheiro certo’. Não sei o que deu pra ele”, diz Andrea no áudio. Saiba mais aqui.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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