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26 de fevereiro de 2020, 21h25

Quando o Véio da Havan foi condenado por lavagem de dinheiro – e escapou

Luciano Hang, ao lado de um advogado e com muito dinheiro, conseguiu escapar de uma condenação por prescrição

Foto: Reprodução/Twitter

Luciano Hang, o Véio da Havan, foi condenado no STJ por montar sua “contabilidade com racionalidade germânica a serviço do crime”, de acordo com palavras que constaram da manifestação da subprocuradora do MPF.

Em 1998, a PF o flagrou pagando quase um terço a menos em uma carga de tecidos, fraudando a declaração do peso de 3 toneladas para 1,9 toneladas. Não dá pra saber desde quando Hang fazia isso, o quantas vezes. Foi apurado que 14 pessoas estariam envolvidas na maracutaia, entre elas: um primo, contadores, fiscais do INSS e da Receita, que foram apontados em documentos como cúmplices de uma OrCrim – organização criminosa.

Impossível saber quantas vezes ele tinha feito isso. Apurou-se que a estratégia envolvia 14 pessoas, entre elas um primo, contadores, fiscais do INSS e da Receita Federal, apontados, em documentos públicos e oficiais, como cúmplices de uma orcrim – a clássica organização criminosa.

Quem Luciano Hang contratou para defendê-lo foi Nabor Bulhões, advogado de Fernando Collor, Marcelo Odebrecht, Paulo César de Farias e o mesmo que o governo da Itália contratou para obter a expulsão de Cesare Battisti.

Nos autos dos processos aparece um dos truques do Véio para sonegar: na importação de 60 dúzias de tesouras a 1,20 cada, a empresa trocava de 60 x 12 x 1,20, para 60 x 1,2.

Reprodução

O caso foi parar no STJ. E há outras denúncias, todas públicas.

Nesse processo, Hang foi condenado a três anos, mas aderiu ao programa de parcelamento REFIS, fazendo um acordo para pagar os tributos que devia em 115 anos, e se livrou da pena.

Hang luta há 21 anos, ao lado de seus advogados, para escapar de condenações criminais – mas, dos 38 casos, há um que chama a atenção e corre em sigilo. A investigação começou em 2000 em Blumenau (SC) e é relativa a lavagem de dinheiro e outros contra o sistema financeiro.

O processo começou a tramitar na justiça de Florianópolis em 2003 e depois de inúmeros pedidos de vistas, adiamentos e recursos, o processo levou mais de 10 anos.

Em junho de 2008, Hang recorreu ao TRF-4. O julgamento foi marcado e logo adiado para fevereiro de 2009, quando um dos desembargadores pediu vistas do processo – ou seja, para adiar tudo. Em maio saiu uma decisão diminuindo a condenação inicial, que havia sido de cerca de 14 anos, e um novo adiamento. Em 2010, o caso foi julgado de novo e a pena foi reduzida a 9 anos e 4 meses.

A segunda condenação passoi pelo TRF-4, mas Hang recorreu aos STJ e o recurso só chegou lá 10 meses depois, em maio de 2011.

O caso caiu nas mãos de Jorge Mussi e o caso ficou aguardando por uma análise por 43 meses, sem nenhuma movimentação.

Em maio de 2015 o caso foi redistribuído para outro ministro. Em setembro do mesmo ano, o recurso da defesa aliviou ainda mais a situação de Luciano Hang, não se sabe bem o quanto, pois a decisão não foi disponibilizada na íntegra. A condenação foi mantida.

No mesmo mês, Luciano entrou com novo recurso e um agravo regimental. O agravo caiu de novo nas mãos de Mussi.

Em junho de 2016 a defesa pediu prescrição do caso.

Depois de 16 anos de investigações e dezenas de embargos, Hang é não deve nada à Justiça, mas não por ter sido absolvido das acusações do Ministério Público.

Reprodução

Os ministros reconheceram a prescrição (a impossibilidade de punir por conta do tempo transcorrido). E fim. O Véio é um cidadão livre.

*Com informações do DCM


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