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19 de março de 2018, 23h42

Quatro ex-presidentes sul-americanos se reúnem em caravana de Lula pelo Sul do Brasil

Pepe Mujica, Rafael Correa, Dilma Rousseff e Lula debateram rumos do continente em Santana do Livramento (RS)

Foto: Ricardo Stuckert

Por Leonardo Fernandes, no BdF

A segunda parada da Caravana Lula pelo Sul, que começou na manhã desta segunda-feira (19), reuniu quatro ex-presidentes sul-americanos na cidade de Santana do Livramento (RS): José Pepe Mujica, do Uruguai, Rafael Correa, do Equador, além dos brasileiros Dilma Rousseff e o próprio Lula.

O lugar escolhido para o ato não podia ser mais representativo: o Parque Internacional, uma praça que divide o Brasil e o Uruguai, símbolo da convivência amistosa e fraterna entre os povos dos dois países.

Em sua intervenção, Lula destacou os retrocessos que muitas nações vem experimentado a partir da ascensão da direita ao poder, seja pela via democrática, ou através de golpes de estado, como no caso do Brasil. “O momento é muito difícil, político, econômico e social. Estamos perdendo muitas das conquistas dos últimos 15 anos, e se depender do governo golpista, vamos perder muito mais. Parece que a ideia é que o mercado financeiro determine o que vai acontecer no mundo”, alertou o ex-presidente.

O uruguaio José Pepe Mujica defendeu a unidade dos setores progressistas para vencer a ofensiva da direita sobre os países sul-americanos.

“Precisamos entender nossas diferenças e, para além delas, ter políticas comuns e aprender a nos juntarmos. Vocês têm sorte de ter Lula, mas precisam de uma geração de lutadores e militantes sociais para levar as mudanças adiante, e saber perdoar uns aos outros quando cometem erros”, destacou Pepe Mujica.

Já a presidenta Dilma Rousseff afirmou que a vitória de Lula nas próximas eleições vai “lavar a alma” dos brasileiros que não se conformaram com o golpe de estado do qual ela foi vítima. “A missão do presidente Lula é fazer o Brasil se reencontrar consigo mesmo. Aí sim, nós vamos lavar e enxugar esse processo de golpe. Mas, para isso, nós precisamos de eleições diretas, livres e soberanas.”

Diante da multidão que acompanhava o ato, Lula fez referência a condenação dele, ao afirmar que seu problema pessoal é pequeno, frente aos problemas enfrentados pelos brasileiros e brasileiras com a retirada de direitos levada adiante pelo governo golpista. Em apoio a Lula, o ex-presidente equatoriano, Rafael Correa, fez uma fala emocionada e criticou a condenação sem provas.

“A injustiça que se comete contra um homem, se comete contra toda a humanidade. O que está acontecendo é a judicialização da política. Não conseguem nos derrotar nas urnas e, com a ajuda de uma imprensa corrupta, nos condenam sem nenhuma prova”, expressa Correa.

Unidos, brasileiros e uruguaios saudaram Lula

Cerca de cinco mil pessoas, entre brasileiros e uruguaios, lotaram o Parque Internacional em Santana do Livramento. A trabalhadora doméstica uruguaia Celma Benítez fez questão de estar presente. “Para mim, esse foi um ato de confraternização e solidariedade com o povo brasileiro que está sofrendo com esta ditadura que nunca desejamos. Sem dúvida que não é o mesmo que ter um presidente de direita ou um companheiro de esquerda, que lute do mesmo lado que o povo uruguaio”, diz.

Já Ana Paulo Buglet, professora e moradora de Santana do Livramento, destacou os avanços que houveram na região a partir dos governos petistas: “O presidente Lula representa muito pra nós de Santana do Livramento. Representa a Unipampa, as IFEs [Institutos Federais de Educação], o acesso à educação. Ele é tudo para nós, para os professores que nos importamos com políticas públicas que venham de encontro das camadas mais necessitadas.”

Esta é quarta etapa da Caravana Lula pelo Brasil e acontece até o dia 28 de março. Serão 19 cidades visitadas e mais de três mil quilômetros percorridos nos três estados da região.


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